EFE
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Itaipu está 'preparada para o pior', afirma presidente da usina

"Estamos fazendo nossa parte: temos consumidores e equipamentos de última geração, e só nos falta água", afirma Jorge Samek

O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2015 | 13h05

FOZ DO IGUAÇU - Com as represas da região sudeste do Brasil em níveis mínimos históricos, por causa da seca que já traz ameaça de racionamento de energia, o presidente da empresa Itaipu, Jorge Miguel Samek, garantiu que a segunda maior hidrelétrica do mundo "está preparada para o pior".

Com tom otimista, Samek afirma que a usina binacional produz o máximo de energia, em parte para contribuir para atenuar a crise de falta de água que atinge estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, regiões mais povoadas e mais industrializadas do País.

"Estamos fazendo nossa parte: temos consumidores e equipamentos de última geração, e só nos falta água", afirmou o presidente da estatal.

Em tempos de estiagem e problemas de administração dos recursos hídricos nas grandes cidades, especialmente em São Paulo, Samek garante que não há risco de racionamento de energia.

O motivo, em sua opinião, é que "obviamente choverá em fevereiro e março", um prognóstico que está se confirmando graças às chuvas que deram um pequeno respiro aos reservatórios durante o Carnaval.

O sossego da cúpula diretiva de Itaipu tem uma explicação. A hidrelétrica, a segunda maior do mundo em geração, só superada no ano passado pela represa chinesa de Três Gargantas, desfruta de uma localização privilegiada no meio do rio Paraná.

De Brasília até o sul, a bacia hidrográfica permite recolher água de sete estados brasileiros, um fenômeno que a própria geografia do Brasil favorece.

"Existem 45 hidrelétricas ao norte e cada uma delas tem o seu reservatório, e Itaipu funciona como uma casa com 45 caixas d'água", comparou Samek, para justificar que mesmo em uma circunstância de grave estiagem como a atual, Itaipu continua com elevado nível de geração de energia.

Nas 20 turbinas de Itaipu, o volume de água é equivalente a dez Cataratas do Iguaçu, o que garante a geração de 75 milhões de megawatts/hora.

Construída nos anos 70 pelos governos ditatoriais do Brasil e do Paraguai, Itaipu é um dos pilares  energéticos dos dois países no século XXI, já que provê 17% da energia que o Brasil consome e abastece 75% da demanda paraguaia.

Justamente porque a fonte principal de energia da maior economia latinoamericana é hidrelétrica, Samek defende a necessidade de contar com a retaguarda de outras matrizes de energia como fator de segurança energética do Brasil.

Para o presidente da usina, a energia é uma questão que deveria ultrapassar fronteiras nacionais. "No futuro, deveríamos ter uma integração energética maior no continente para fazer intercâmbio de oferta e demanda e garantir que as carências de um país possam ser supridas pelos vizinhos", argumenta.

Enquanto isso, Itaipu conta com leis e polícia próprias e funciona com base em um tratado binacional entre os dois governos. E a história da hidrelétrica é uma sequência de números e dados que não deixam nenhum visitante indiferente: um recinto de 225 mil hectares e uma represa que se renova a cada 33 dias, com 1.350 quilômetros quadrados. Uma superfície quase equivalente à da cidade de São Paulo (1.530 quilômetros quadrados), a maior metrópole da América do Sul.(EFE)

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