Itália anuncia pacote econômico de 80 bilhões de euros

Entre as medidas, estão o auxílio a famílias de baixa renda, isenção de impostos a empresas e ajuda a bancos

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

28 de novembro de 2008 | 13h45

O governo da Itália aprovou nesta sexta-feira, 28, um pacote de estímulo econômico que, de acordo com o primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi, "transferirá cerca de 80 bilhões de euros (US$ 103,20 bilhões) do setor público para o privado". O plano é parte de um esforço coordenado dos países europeus para combater a recessão no continente. Veja também:De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise   Entre as medidas do plano, estão o auxílio financeiro a famílias de baixa renda, isenção de impostos a empresas e uma ajuda de até 12 bilhões de euros para os bancos italianos, que será distribuída por meio da compra de dívidas híbridas das instituições financeiras pelo governo. Esta semana, a Comissão Européia, braço executivo da União Européia (UE), divulgou que os 27 países do bloco destinariam 170 bilhões de euros em recursos para estimular a economia de cada um dos integrantes, o que corresponderia a uma contribuição de aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto (PIB). Uma autoridade do governo italiano disse anteriormente que o pacote de estímulo somaria apenas 5 bilhões de euros, ou menos de 0,5% do PIB. Durante uma entrevista coletiva, Berlusconi afirmou que o pacote é proporcionalmente menor do que planos similares formulados pelos governos da França e da Alemanha devido à grande dívida pública italiana, que limita a capacidade do governo para estimular a economia por meio da diminuição de impostos e do aumento nos gastos. A dívida da Itália corresponde a aproximadamente 105% do PIB e é a maior da Europa. Em termos absolutos, somente Estados Unidos e Japão possuem dívidas mais altas. "Fizemos a escolha certa. A Itália possui a terceira maior dívida do mundo, mas não é a terceira maior economia", avaliou o ministro das Finanças, Giulio Tremonti, acrescentando que, se o governo tivesse gastado mais dinheiro, "o mercado teria punido o país". Durante seu mandato anterior como primeiro-ministro, entre 2001 e 2006, Berlusconi tentou conter os efeitos do desaquecimento econômico provocado pelos ataques aos EUA em 11 de setembro diminuindo impostos e aumentando os gastos. A medida não surtiu efeito, porque os italianos poupou o dinheiro extra, e a dívida pública aumentou. O Fundo Monetário Internacional (FMI), que estima um declínio de 0,6% na economia da Itália em 2009, pediu ao governo que formulasse políticas que abordassem o desaquecimento econômico especificamente no país, "principalmente em relação à grande dívida pública".

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