AP Photo/Luca Bruno
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Itália aprova socorro de € 17 bilhões a bancos

Banca Popolare di Vincenza e Veneto Banca serão incorporados ao Intesa Sanpaolo

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2017 | 22h37

PARIS - O governo da Itália começou ontem a pôr em prática medidas de emergência para socorrer dois bancos que estavam ameaçados de insolvência, deixando sob risco todo o sistema financeiro do país. Banca Popolare di Vincenza e Veneto Banca serão absorvidos pelo banco Intesa Sanpaolo, que por sua vez receberá € 4,78 bilhões em injeção de recursos públicos para garantir “a capitalização e reforçar a situação patrimonial”. Outros € 12 bilhões serão empregados no plano de socorro como garantias para créditos duvidosos em poder das duas instituições – totalizando assim os € 17 bilhões em dinheiro do Estado.

O objetivo de Pier Carlo Padoan, ministro de Economia italiano, é estabilizar a situação do sistema financeiro, objeto de dúvidas e de especulações nos mercados financeiros há quase dois anos. A crise dos dois bancos italianos é o ponto mais agudo da turbulência que afeta as instituições bancárias do país. Uma das intenções do governo italiano com a medida é garantir os depósitos de pequenos poupadores, como prevê a regulação da União Europeia. “O total de recursos mobilizados poderá chegar a € 17 bilhões, mas a despesa imediata para o Estado é de um pouco mais de € 5 bilhões”, explicou o ministro de Economia, ex-economista-chefe da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Além dos recursos investidos no fortalecimento do Intensa Sanpaolo, o Estado italiano decidiu proteger os recursos de poupadores mobilizando os demais € 12 bilhões, que só serão empregados em caso de necessidade. “Esse decreto permite estabilizar a economia do Vêneto e preservar a atividade econômica dos bancos da região”, argumentou Padoan.

No fim de semana, o governo italiano sofreu fortes críticas porque o Intensa Sanpaolo assumiu o controle das duas instituições pelo valor simbólico de € 1, além de ter recebido o aporte.

Outra crítica diz respeito ao fato de que o Intesa Sanpaolo não terá de administrar apenas os créditos podres em troca do subsídio de € 5 bilhões, mas também herdará os créditos em ativos em boa saúde das duas instituições. Uma das dúvidas em Roma dizia respeito ao fato de que a União Europeia poderia considerar o socorro uma distorção da concorrência no interior do bloco.

Para o economista francês Nicolas Veron, especialista em sistema financeiro europeu do Instituto Bruegel, de Bruxelas, e do Peterson Institute for International Economics, de Washington, essa hipótese está em aberto. “Essa é uma das grandes questões agora”, entende, arriscando um prognóstico: “A Comissão Europeia não parece considerar (o socorro) como ajuda de Estado”.

Sem opção. Respondendo às críticas, Padoan afirmou que o acordo de socorro foi o melhor que poderia ter sido assinado. “A única solução alternativa seria a falência desordenada, ou a venda em pequenos pedaços dos dois bancos, o que teria destruído completamente a capacidade operacional das instituições”, sustentou. Ainda de acordo com o ministro, a nacionalização dos dois bancos – um procedimento adotado pelo Reino Unido no auge da crise financeira de 2008, por exemplo – não era uma opção.

O modelo de socorro adotado foi idêntico ao empregado pelo governo de Mariano Rajoy, na Espanha, para evitar a falência do Banco Popular, absorvido pelo Santander também pelo valor simbólico de € 1. Madri usou então o Mecanismo de Resolução Única (MRU), criado pela União Europeia para permitir que o Banco Central Europeu (BCE) auxilie países em caso de ameaças sobre o sistema financeiro nacional.

O Banco Popular, assim como as duas instituições italianas, estava em dificuldades financeiras em razão da alta relação entre ativos tóxicos – créditos imobiliários de alto risco, que na prática não serão reembolsados. Segundo Carlo Messina, diretor-presidente do Intesa Sanpaolo, a participação de sua instituição no acordo italiano permitirá salvar as economias dos clientes dos dois bancos, assim como as finanças de 200 mil empresas. “Nossa intervenção permitirá resguardar mais de € 50 bilhões em poupanças confiadas aos dois bancos e proteger dois milhões de clientes”, alegou.

Messina também prometeu que os € 5 bilhões injetados pelo Estado serão colocados à disposição em linhas de crédito para fomentar a economia do Vêneto.

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