Stefano Rellandini/Reuters
Stefano Rellandini/Reuters

Itália assina acordo com Suíça para receber informações sobre contas de italianos

Convênio prevê que autoridades de Roma possam receber informações sobre a movimentação financeira de cidadãos italianos em bancos do país vizinho, que são protegidos por acordos de confidencialidade

Estadão Conteúdo

23 Fevereiro 2015 | 15h01

Os governos da Itália e da Suíça assinaram nesta segunda-feira um acordo para trocar informações sobre italianos que mantém contas em bancos suíços. O convênio prevê que autoridades de Roma possam receber informações sobre a movimentação financeira de cidadãos italianos em bancos do país vizinho, que são protegidos por acordos de confidencialidade.

Para tornar-se efetivo, é preciso que os parlamentos de ambos os países ratifiquem o acordo, o que se espera que aconteça em 2017. Se aprovado, ele deve tornar muito mais difícil a evasão fiscal de cidadãos italianos.

"Este é um passo importante no relacionamento entre os dois países", afirmou o ministro da Economia italiano, Pier Carlo Padoan. A Itália deve assinar um acordo parecido com as autoridades de Liechtenstein no próximo dia 26, acrescentou. Padoan, entretanto, se negou a dizer qual será o impacto fiscal desse programa.

A assinatura dos acordos faz parte de uma estratégia do governo em Roma para combater a sonegação. Autoridades italianas recentemente aprovaram uma lei de "divulgação voluntária" de ativos no exterior. Cidadãos que decidirem repatriar ativos não declarados da Suíça iriam pagar impostos sobre o equivalente à movimentação bancária em dez anos. Com o novo acordo, este número cai imediatamente para cinco.

Caso HSBC. No dia 8 de fevereiro, uma reportagem publicada pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (International Consortium of Investigative Journalists, ou ICIJ, em inglês) revelou que a unidade suíça do banco HSBC funcionou como um “caixa automático” de contas secretas, onde era feita lavagem de dinheiro e a sonegação de impostos era incentivada. Essa foi a primeira vez que um documento tão completo foi revelado sobre as atividades bancárias na Suíça, país conhecido como paraíso fiscal. 

Mais de 100 mil correntistas de 200 países usavam o esquema do HSBC, entre eles políticos, executivos de grandes empresas, traficantes, ditadores, negociadores de armas, famílias nobres, além de celebridades do mundo da música, cinema, e esporte. Entenda o caso neste link. / COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES NEWSWIRES

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