Itália é forçada pelo mercado a pagar os juros mais altos desde a criação do euro

Os desentendimentos entre líderes europeus custam caro ao continente: o acesso da Itália a créditos internacionais chegou ao limite, a Bélgica teve sua nota de risco rebaixada e os mercados deixaram claro que não acreditam que a União Europeia tenha uma estratégia para lidar com a crise.

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h06

Ontem, ao emitir 2 bilhões com vencimento em dois anos, a Itália foi obrigado a pagar taxa de juros de 7,8%, a mais alta do país desde a criação do euro, no final de 1999, Outros 8 bilhões foram emitidos, com prazo de seis meses, a uma taxa de 6,5%.

Na prática, o preço cobrado pelo mercado é um sinal claro de que os investidores não confiam na capacidade do governo de Mario Monti de superar a crise. Países como Grécia, Portugal e Irlanda tiveram de ser socorridos com a taxa próxima de 7%.

Na quinta-feira, a minicúpula entre Monti, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy terminou com a constatação que a Alemanha não concordará com a criação de um mecanismo na UE para resgatar governos em dificuldade. Merkel também se recusa a aceitar a ideia de ter o Banco Central Europeu (BCE) atuando para salvar países, projeto apoiado por Itália e França.

Os desencontros entre os líderes serviram apenas para mostrar que as três maiores economias do bloco não sabem que caminho tomar. O BCE voltou a intervir no mercado para permitir que a taxa italiana não aumentasse ainda mais. A reação dos investidores contaminou outros mercados, como o da Espanha. Ontem o país admitiu que vai precisar de ajuda externa. E a volatilidade também chegou ao dólar, fazendo com que a moeda americana disparasse durante o pregão na BMF&Bovespa, passando dos R$ 1,90 e encerrando o dia com leve recuo, a R$ 1,88.

Rebaixamento. Em outro sinal da deterioração dos mercados, a agência Standard & Poor's reduziu a classificação da Bélgica de AA+ para AA, sob a alegação que cresce a possibilidade que o governo de Bruxelas seja obrigado a usar mais uma vez recursos públicos para salvar seus bancos.

A dívida belga chega a 97% do Produto Interno Bruto (PIB), mas o país tem feito esforços para reduzir seu déficit público. O problema é que seus bancos, expostos à Grécia e a outros países em dificuldades, estão com capacidade de captar recursos cada vez menor. Além disso, as incertezas em relação à formação de um governo - que já duram desde junho de 2010 - contribuem para aprofundar a crise.

Em nota a investidores, o banco Goldman Sachs também destacou o risco da situação do setor financeiro para o bloco. Segundo o banco, a Europa termina 2011 em recessão e, em 2012, crescerá apenas 0,1%. Mas diz que o maior risco é a falta de financiamento para o setor bancário, o que pode provocar situação parecida com a de 2008.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.