Itália tem 1ª greve do novo governo

Sindicatos se queixam do pacote de arrocho que, segundo eles, faz com pensionistas e trabalhadores tenham as maiores perdas

MILÃO, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2011 | 03h07

O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, enfrentou ontem a primeira greve do seu governo, com trabalhadores protestando contra algumas medidas no orçamento do país, que busca reativar a economia e controlar a grande dívida nacional.

As três principais centrais sindicais italianas, conhecidas pelas siglas CGIL, CISL e UIL, convocaram os trabalhadores para paralisações de três a oito horas. Foi a primeira vez em três anos que as três centrais falaram juntas aos trabalhadores.

Os sindicatos protestam contra um imposto sobre imóveis, mesmo para aqueles que possuem apenas uma residência, bem como contra o aumento na idade para aposentadoria e cortes nos ajustes para repor a inflação para quase todos os pensionistas, exceto aqueles que ganham o mínimo.

"Os trabalhadores e os pensionistas são aqueles que mais pagam em uma crise", disse a secretária-geral da CGIL, Susanna Camusso, em entrevista ao jornal La Repubblica publicada ontem. "Nós estamos enfrentando uma situação extremamente séria no front social."

Susanna e outros líderes sindicais se encontraram com o primeiro-ministro Mario Monti e com outros ministros no fim do domingo, para pedir alguns mudanças. Ela disse, porém, que Monti demonstrou um forte desejo de aprovar rapidamente o orçamento, com o mínimo possível de alterações.

Jornais italianos disseram que mais de mil emendas foram pedidas pelos partidos italianos no Parlamento. O orçamento prevê cortes líquidos de 20 bilhões.

Monti reconheceu que o orçamento é severo e disse esperar mais que apenas um dia de greves, mas afirmou que não tinha outra alternativa a não ser aceitar as medidas de austeridade para impedir que a Itália sucumba à crise da dívida e coloque o euro em risco.

Os trabalhadores dos portos e rodovias pararam por três horas. Já os metalúrgicos - incluindo os da montadoras Fiat - fizeram uma paralisação de oito horas.

Nos dias 15 e 16 está programada uma paralisação dos transportes públicos.

O sindicato do setor de metalurgia Fiom, afiliado à CGIL, está em greve contra um anúncio da Fiat, maior empregador privado do país, sobre novas condições para os trabalhadores em suas fábricas. A Fiat já impôs as medidas mais rígidas em três fábricas e deve retomar as conversas para fechar acordo com sindicatos em Turim, apesar da oposição do Fiom.

A oposição dos sindicatos não vai afetar o apoio dos parlamentares ao pacote de austeridade do governo, disse Pier Luigi Bersani, secretário do Partido Democráticos de centro-esquerda. O partido tem muitos membros dos sindicados entre seus afiliados. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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