Alessandro Bianchi / Reuters
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Itália vai resistir à pressão orçamentária antes das eleições da UE

“Não daremos um passo para trás”, afirmou o vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, à emissora de televisão estatal Rai

Reuters

22 de novembro de 2018 | 14h37

O governo da Itália disse nesta quinta-feira, 22, que vai resistir à pressão de Bruxelas para rever plano de Orçamento expansionista, efetivamente desafiando autoridades da União Europeia a punir o país com multas antes das eleições parlamentares europeias em maio.

Líderes do governo populista italiano disseram que vão avançar com a expansão do déficit no ano que vem, um dia depois de a Comissão Europeia ter iniciado procedimentos disciplinares contra a Itália sobre o plano, em uma disputa que tem preocupado toda a zona do euro.

“Não daremos um passo para trás”, disse o vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, à emissora de televisão estatal Rai. “Não estamos gastando esse dinheiro aleatoriamente. A ideia é que a Itália cresça.”

Salvini quer que a Liga -um dos dois partidos que formaram uma coalizão governista em junho- ajude a reduzir os poderes da União Europeia sobre os países-membros e encabeçará um ataque populista contra o Parlamento Europeu nas eleições do ano que vem.

Seu parceiro de coalizão e vice-primeiro-ministro, Luigi Di Maio, do partido anti-establishment, o 5 Estrelas, também disse que o governo italiano não recuará antes das eleições.

“Eu descarto medidas de corte de gastos antes da eleição da UE”, disse Di Maio a jornalistas no parlamento, acrescentando que muitos países europeus teriam razões para mudar as “regras do jogo” na Europa depois disso.

O governo argumenta que uma expansão no Orçamento vai impulsionar o crescimento econômico e, por sua vez, as receitas fiscais, reduzindo seus 3 trilhões de euros de dívida pública, o que representa cerca de 130 por cento do PIB do país.

A Comissão Europeia discorda, dizendo que a Itália deve fazer mais para aliviar sua carga de dívida, que é proporcionalmente a segunda maior da zona do euro depois da Grécia.

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