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Italiana investe em iates maiores para driblar a crise

Subsidiária da Azimut muda estratégia de produção no País, com foco nos barcos mais caros, de olho no cliente de altíssima renda

NAIANA OSCAR, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2015 | 02h05

À frente da subsidiária brasileira da Azimut, uma das maiores fabricantes de barcos de luxo do mundo, o italiano Davide Breviglieri fala com tanto entusiasmo dos planos para este ano que nem parece estar no Brasil de 2015. Na semana passada, ao participar de uma reunião, na Itália, com os conselheiros da companhia - que fatura por ano cerca de 300 milhões com a produção de iates -, Breviglieri foi sabatinado sobre a conjuntura econômica do País e as perspectivas de crescimento do estaleiro, instalado em Itajaí (SC) desde 2011. O executivo foi enfático ao dizer para os chefes que a crise não bateria ali. "Temos uma condição que nos favorece e estamos muito confiantes de que vamos continuar crescendo."

A aparente tranquilidade do italiano, que vive no País há 15 anos, está ligada a uma mudança na estratégia de produção da subsidiária brasileira, que dará prioridade à construção de barcos maiores e mais caros, para atender a um público "menos preocupado" com a piora dos indicadores econômicos. "Temos como atender a esse cliente que está na ponta extrema do altíssimo padrão", diz Breviglieri.

Em janeiro, a empresa começou a construir um barco de 83 pés (25,2 metros) que será vendido a um empresário paulista, em julho, por R$ 20 milhões. Esse modelo foi lançado na Itália no ano passado e, agora, começa a ser montado em Itajaí. Desde que se instalou no Brasil, o foco da Azimut eram as embarcações de 42 a 60 pés de comprimento, com preço inicial de R$ 2 milhões. Agora, a maior parte da produção será concentrada nos barcos de 60 a 83 pés. "Para o cliente que vai comprar o primeiro barco, meio milhão faz diferença e o clima de incerteza na economia fará com que ele adie esse plano."

Ao mesmo tempo em que trabalha para aumentar o tamanho das embarcações, a empresa começa a adaptá-las ao cliente brasileiro - que gosta de curtir a lancha na popa, fazendo churrasco e tomando cerveja, ao contrário dos europeus.

Com as mudanças, a Azimut espera fabricar 30 barcos no Brasil e faturar R$ 110 milhões em 2015, mais que os R$ 90 milhões do ano passado. O estaleiro acabou de passar por uma ampliação e os conselheiros, convencidos por Breviglieri, decidiram manter os investimentos no País, com a meta de dobrar a produção na próxima temporada náutica.

A Azimut foi uma das poucas fabricantes estrangeiras que anunciaram, entre 2011 e 2012, a instalação de fábricas no País e não desistiram. "O ambiente foi ficando mais complicado e elas perceberam que o País, com suas burocracias e sua carga tributária, não era tão fácil quanto parecia", diz Eduardo Colunna, presidente da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos (Acobar). Segundo ele, o entusiasmo da Azimut é isolado no setor e tem sua dose de "marketing".

Os números do ano passado ainda não estão fechados, mas a estimativa é de que as vendas, que em 2013 foram de US$ 700 milhões, tenham caído 15%. "Os barcos maiores, de fato, sofrem menos em situações de crise, mas 70% das vendas de embarcações no Brasil estão concentradas nos modelos menores, de 32 pés." O País tem 120 estaleiros que fabricam cerca de 30 mil barcos por ano.

O desaquecimento da economia fez com que a Ferretti Group Brasil pedisse recuperação judicial em dezembro do ano passado. A subsidiária da grife italiana foi vendida em 2012 para o grupo chinês Shandong Heavy Industry Group-Weichai, como parte de um processo de reestruturação da companhia, que vinha perdendo receita desde a crise de 2008. "Esse foi um caso mais extremo, não há outros estaleiros na mesma situação", afirma Colunna.

Entre as fabricantes brasileiras que mais se destacam está a Schaefer Yachts, de Florianópolis. Antes mesmo da Azimut, a empresa começou a produzir uma lancha de 83 pés, em Santa Catarina, no ano passado, e já tem cinco encomendas para 2015. "Até a Copa do Mundo, vivemos um momento muito ruim, mas depois do evento voltamos a negociar os barcos grandes novamente", afirma o fundador Márcio Luz Schaefer. Ele diz que o momento é de cautela, mas que o dólar alto trás boas perspectivas, já que o cliente da Schaefer é, tradicionalmente, o "empresário-paulista-exportador".

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