Itamaraty pede ajuda do setor privado para negociar na Alca e OMC

O Ministério das Relações Exteriores, que representa o Brasil nas negociações comerciais internacionais, vem destacando publicamente que faltam estudos para avaliar quanto o Brasil poderá ganhar ou perder com a liberalização do comércio de serviços, em andamento na negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Para poder negociar um bom acordo de abertura do comércio de serviços, o Itamaraty tem insistido junto ao setor privado brasileiro sobre a importância de compilar informações sobre as restrições existentes no Brasil ao comércio de serviços estrangeiros.Por conta do déficit estrutural que o País tem na balança de serviços, ao redor de US$ 20 bilhões, as exportações de bens e serviços tendem a ter forte impacto nas contas externas. A apresentação das ofertas iniciais deverá ocorrer entre 15 de dezembro deste ano e 15 de fevereiro de 2003. Dentro das negociações da OMC, o prazo final para ofertas e demandas de liberalização terminou em 30 de junho. Ainda há tempo para se complementar a lista. A data final para a definição de métodos e modalidades da negociação é 31 de março do ano que vem.O ministério também precisa saber as restrições que os serviços brasileiros enfrentam fora do País. "Ninguém melhor do que o setor privado para nos passar as informações. Sem elas, corremos o risco de não ter o que pedir nas negociações", diz Felipe Hees, coordenador nacional adjunto da Divisão de Comércio de Serviços e Assuntos Financeiros do Itamaraty. "Corremos o risco de a sociedade dizer que entregamos tudo", completou.Vale lembrar que, se observadas de forma geral, as demandas feitas ao Brasil englobam todos os onze setores em negociação (serviços empresariais, de comunicação, construção de engenharia, distribuição, educação, meio ambiente, financeiros, de saúde e social, de turismo e viagens, de recreação, culturais e esportivos, e de transportes). O Brasil pediu a liberalização total do comércio de serviços para Estados Unidos, União Européia, Japão e Canadá. Demandas menos abrangentes foram feitas a China, Índia, Coréia e Austrália. Já para Chile, Peru, Colombia, Venezuela e Equador o Brasil fez pedidos bastante específicos, nas áreas de construção e de distribuição. O Brasil tem interesses exportadores nos segmentos de distribuição de produtos agrícolas, construção civil, software bancário, turismo e serviços audiovisuais (filmes e novelas, por exemplo).

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