Itamaraty poderá usar ´sucatão" para resolver problemas da Varig

O Ministério das Relações Exteriores será o executor do plano da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para solucionar o problema dos brasileiros que estão no exterior e dependem de passagens emitidas pela Varig para retornar ao País. Hoje, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, informou que o Itamaraty deverá mobilizar as embaixadas e consulados para atender aos brasileiros em dificuldades. Em caso extremo, poderia até ser usado o velho Boeing 707 que já serviu a Presidência da República, conhecido como "sucatão", ou o modelo 737, o "sucatinha". O "sucatão" poderia ser usado em vôos transoceânicos. O "sucatinha" seria mais apropriado para missões na América do Sul.Contudo, o chanceler afirmou que o Correio Aéreo Nacional (CAN), operado pela Força Aérea Brasileira (FAB), não será utilizado para cobrir as lacunas deixadas pela Varig nas rotas internacionais. Nos últimos anos, o CAN expandiu sua cobertura para vizinhos da América do Sul, com vôos mais regulares e chegou a fazer uma viagem experimental para quatro países africanos neste ano. Entretanto, salientou Amorim, esses vôos atendem apenas a necessidades específicas do governo, como o transporte de estudantes bolsistas, de técnicos em cooperação e de material para as representações oficiais do Brasil. A Aeronáutica chegou a ser consultada sobre a possibilidade de usar alguns de seus aviões para repatriar brasileiros. Mas, de acordo com informações obtidas na Força Aérea, esta medida seria adotada apenas em caráter emergencial, e depois que tiverem sido esgotadas todas as negociações e demais possibilidades de se trazer de volta os passageiros. Amorim, porém, lembrou que, a despeito da crise da Varig, novas linhas aéreas operadas por outras companhias foram abertas nos últimos anos, o que facilita a ligação entre o Brasil e outros países. Mas ressaltou: "o governo não vai deixar os brasileiros desassistidos".Caso a casoEle advertiu, contudo, que haverá exame caso a caso e que o pagamento de novas passagens aéreas e/ou de hospedagem será reservado apenas para situações críticas. Segundo dados da Anac, cerca de 16 mil brasileiros estão em outros países neste momento, dos quais 5.000 encontram-se na Alemanha, acompanhando a Copa do Mundo. O Itamaraty definiu que atenderá aos brasileiros no exterior dentro dos limites da função consular. Ou seja, não poderá dar nenhum tratamento de privilégio a esses cidadãos, em relação aos que estão no Brasil - atitude que tenderia a ser condenada pelo Tribunal de Contas da União. Mas tentará facilitar o contato deles com as companhias aéreas, com seus familiares no Brasil e com hotéis.Na avaliação do Itamaraty, a grande maioria desses brasileiros está em viagem de passeio ou de negócios e pode arcar com as despesas adicionais de passagem e hospedagem. Mesmo assim, a possibilidade de maior acesso de cidadãos às representações do Brasil no exterior e de surgimento de casos críticos poderá levar o Itamaraty a pedir suplementação orçamentária ao governo.

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