Itamaraty quer ampliar relações com a Ásia

Itamaraty quer ampliar relações com a Ásia

Brasil vai iniciar negociação com a Coreia do Sul; exportação para 4 países soma US$ 8 bi

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2018 | 04h00

De olho nos estudos que apontam a Ásia como o “centro de gravidade da economia global” daqui a três décadas, o Itamaraty já começou um trabalho mais estruturado para fortalecer as relações com os países da região, para além de parceiros tradicionais como Japão e China. O chanceler Aloysio Nunes faz um giro pelo continente desde o início desta semana. O roteiro inclui China, Coreia do Sul, Indonésia, Japão, Cingapura, Tailândia e Vietnã.

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O ponto alto será o lançamento oficial das negociações do acordo Mercosul–Coreia do Sul, no dia 23. A iniciativa, que causa preocupação em segmentos da indústria nacional por causa da perspectiva de maior concorrência com produtos de tecnologia produzidos naquele país, faz parte do esforço do bloco sul-americano em buscar novas parcerias comerciais.

O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, viajará para a Coreia no final da semana que vem para o lançamento das negociações. “Vamos dialogar e negociar com a devida cautela”, disse ele ao Estadão/Broadcast.

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Mas há interesse também nos demais países da região. Só para Cingapura, Indonésia, Tailândia e Vietnã, países que o presidente Michel Temer estaria visitando caso não tivesse desistido por causa de problemas na política interna, o Brasil exportou US$ 8 bilhões no ano passado. Somados, eles seriam o quinto principal parceiro comercial do Brasil, atrás de China, Estados Unidos, Argentina e Holanda, que é o ponto de entrada de produtos para a União Europeia. 

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Na semana passada, Aloysio autorizou a implantação do Sistema de Planejamento Estratégico das Relações Exteriores (Sisprex). Os diplomatas vão elaborar, até o fim de 2018, um planejamento-piloto usando esse sistema. O trabalho, que tem a Ásia como um dos focos, poderá ser aproveitado pelo próximo governo.

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Além de sistematizar o trabalho da pasta, o estabelecimento de metas e resultados responde a questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU), que tem cobrado retornos à sociedade do dinheiro público gasto no Itamaraty. Por ser um trabalho feito nos bastidores, cujos resultados aparecem de forma diluída e no médio e longo prazos, o trabalho dos diplomatas é mais difícil de medir do que, por exemplo, a construção de estradas.

“Muitas vezes, nosso trabalho é evitar problemas”, disse ao Estado o secretário de Planejamento Diplomático, Benoni Belli. Como transformar isso em um indicador de sucesso é um desafio para chancelarias do mundo inteiro.

O projeto-piloto não está pronto, mas vai prever um foco especial na Ásia, informou Belli. Ele cita alguns dados coletados pelo Itamaraty que justificam essa direção. 

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Demanda. Um relatório publicado em 2012 pela Inteligência dos EUA diz que até 2030 o continente terá mais poder do que EUA e Europa juntos, levando-se em conta a população, o Produto Interno Bruto (PIB), gastos militares e investimentos em tecnologia. A classe média da região saltará de 525 milhões de pessoas em 2009 para 3,3 bilhões em 2030 e será responsável por 80% do aumento da demanda no período.

A região cresce a taxas de 5% ao ano há uma década. A Ásia integra um ambicioso projeto de integração física e econômica com o Oriente Médio e a Europa, que envolve 65 países e prevê investimentos de US$ 4 trilhões a US$ 8 trilhões. 

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