Itamaraty quer sociedade mais atuante em negociações comerciais

O governo quer aumentar a participação de representantes do setor privado e da sociedade civil na formulação da posição brasileira nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). A postura do Itamaraty tem como objetivo acabar com o sentimento de que a negociação em Genebra é uma "caixa preta" e que, na maioria das vezes, a sociedade fica excluída do debate sobre a estratégia que será adotada pelo País. "Todas as partes envolvidas nas negociações, governo e sociedade, serão chamadas a empreender um considerável esforço de análise e coordenação para a promoção e a defesa dos interesses nacionais, e a formulação das estratégias negociadoras", afirma o embaixador do Brasil na OMC, Luiz Felipe Seixas Correa. O primeiro passo para uma maior transparência por parte do Itamaraty começou a ser dado hoje, com a criação de um relatório produzido pelos diplomatas brasileiros em Genebra. O relatório conta com informações sobre o andamento das negociações da Rodada de Doha - lançada em novembro do ano passado e que será concluída em 2005 -, e será distribuído eletronicamente para empresas, organizações privadas, sindicatos, acadêmicos e para o demais setores do governo. O Itamaraty divulgará a agenda das negociações da OMC e todos os acordo comerciais estarão traduzidos em português. O projeto ainda irá incluir a criação de uma página na Internet que servirá como fórum para debates sobre as negociações comerciais. Mas se parte do problema é a falta de canais de comunicação entre o governo e o setor privado, outro elemento é a relativa inexperiência da sociedade civil brasileira em participar de debates sobre a formulação da política exterior. Nos últimos anos, o envolvimento do Brasil nas negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), Mercosul e com a União Européia (UE) deixou claro a necessidade das empresas e entidades de acompanharem a evolução das negociações, e de conhecerem os efeitos desses acordos. Paralelamente à essa conscientização, o País observou uma a proliferação de cursos universitários sobre relações internacionais, negociações e comércio exterior. A idéia era formar recursos humanos capacitados para orientar tanto o setor privado como o governo sobre as negociações comerciais internacionais. Ainda assim, a participação do setor privado nas negociações continua pequena em comparação ao que ocorre nos Estados Unidos ou nos países europeus. Durante a Reunião Ministerial da OMC, em Doha no ano passado, a sociedade brasileira foi representada por apenas cinco organizações não-governamentais. Enquanto isso, Washington contava com mais de 130 entidades civis na reunião, entre elas as associações de indústrias de cada um dos setores da economia que orientavam o governo norte-americano sobre seus interesses em cada um dos temas das negociações.

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