Vigor/Divulgação
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Itambé acusa Vigor por roubo de contrato e exige R$ 400 milhões

Segundo uma fonte, a Itambé acusa a concorrente de ter se apropriado indevidamente de um contrato de fornecimento de leite em pó para a Venezuela

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2018 | 18h44

Em mais um capítulo da briga entre empresas no setor de lácteos no Brasil, a Itambé, da Lactalis, iniciou na segunda-feira, 26, um processo contra a Vigor. O caso está em segredo de Justiça e segue na Câmara de Arbitragem e Mediação do Centro de Comércio Brasil Canadá (CAM-CCBC). Ambas as companhias não quiserem comentar.

Segundo uma fonte, a Itambé acusa a Vigor de ter se apropriado indevidamente de um contrato de fornecimento de leite em pó para a Venezuela e pede uma indenização de R$ 400 milhões. Em 2013, quando a Vigor detinha 50% da Itambé, a JBS (então controladora da Vigor) fechou um contrato com o país latino-americano que incluía a venda de leite em pó. Como, porém, a Vigor não produzia esse produto, o fornecimento ficou a cargo da Itambé entre dezembro de 2013 e maio de 2015. Em junho de 2015, no entanto, o contrato passou a ser controlado pela Vigor, que ficou com os resultados das vendas até janeiro de 2016.

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Outra fonte, próxima da Vigor, diz que a empresa teve de assumir o contrato porque a quantidade de leite fornecida ao país ultrapassou a capacidade de entrega da Itambé e foi preciso adquirir o produto de outros fornecedores, justificando que não houve apropriação indevida de contrato.

As empresas também estão envolvidas em outra arbitragem que envolve o processo de compra da Itambé pelo grupo francês Lactalis. O negóvio foi aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas a Itambé ainda segue sob gestão da Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR), devido à disputa judicial. A Vigor considera que a venda aos franceses feriu o acordo de acionistas entre as empresas. A cooperativa nega.

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O problema entre as empresas começou em agosto de 2017, quando a J&F, holding à qual pertence a JBS, que era controladora da Vigor, anunciou a venda da empresa de lácteos, com 50% de participação na Itambé, para a Lala. Na época, a CCPR comprou a fatia da Vigor, ficando então com 100% da Itambé. No dia seguinte, a CCPR anunciou a venda da marca mineira à Lactalis. No entanto, na sequência, uma ação cancelou a venda das ações da Vigor na Itambé para a CCPR e, consequentemente, suspendeu a negociação com a francesa. No fim de dezembro, a CCPR conseguiu retomar o controle da Itambé. 

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