Itaminas é vendida a chineses por US$ 1,2 bi

Itaminas é vendida a chineses por US$ 1,2 bi

Mineradora do empresário Bernardo Paz tinha dívidas de US$ 400 milhões

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2010 | 00h00

BELO HORIZONTE

O grupo Itaminas, controlado pelo empresário Bernardo Melo Paz, assinou ontem uma carta de intenções para a venda de seu ativo de minério de ferro ao consórcio chinês ECE - Birô de Exploração e Desenvolvimento Mineral do Leste da China. A negociação envolve a venda da Itaminas Comércio de Minérios S/A, dona de uma mina em Sarzedo (MG) com reservas estimadas em 1,3 bilhão de toneladas de minério de ferro.

O acordo prevê que o consórcio chinês adquira 100% da Itaminas por cerca de US$ 1,2 bilhão. A partir da assinatura da carta de intenções, terá início o processo de due diligence para a conclusão do negócio. "O objetivo dos dois lados é trabalhar o mais rápido possível", afirmou Wilson Brumer, sócio da assessoria Winbros Participações e Empreendimentos, contratada em outubro de 2008 para coordenar a operação de venda e liquidação das dívidas dos sócios da Itaminas, calculada em cerca de US$ 400 milhões. O estouro da crise econômica internacional, porém, atrasou o processo de negociação. "A gente estrategicamente esperou a coisa reverter", destacou Brumer.

As negociações com o consórcio chinês se iniciaram ainda no ano passado e se aceleraram no início de 2010. A Itaminas produz atualmente aproximadamente três milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A produção é basicamente voltada para o mercado interno.

Localizada na região metropolitana de Belo Horizonte, a jazida da Itaminas era considerada o maior recurso mineral à venda no Quadrilátero Ferrífero, onde nos últimos anos ocorreram diversos processos de concentração na região da Serra Azul. "É a maior em disponibilidade num único local. Essa é uma grande vantagem que ela (a reserva) tem em relação a outras. A Itaminas é um corpo mineral só."

Os chineses têm demonstrado apetite em relação às reservas disponíveis como forma de reduzir a dependência do país asiático a produtos fornecidos pelas gigantes do setor, como a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton. No fim do ano passado, a Votorantim Novos Negócios, do Grupo Votorantim, acertou, por meio de um memorando de intenção, a venda por US$ 430 milhões de seu projeto de minério de ferro no norte de Minas para a Honbridge Holdings.

"É uma tendência não só dos chineses, mas dos principais produtores de minério de fazer aquisições", ressaltou Brumer, que já foi presidente da Vale na década de 90 e, durante o primeiro mandato do governador mineiro Aécio Neves (PSDB) ocupou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

Consórcio. Sediado em Nanjing, capital da província de Jiangsu, o ECE foi fundado em 1955 e congrega empresas de mineração, de pesquisa e de perfuração, além de centros de pesquisa e equipes de exploração geológica, com atuação em países como Indonésia, Camboja, México, Austrália, Irã e Namíbia. O consórcio possui um total de 4,5 mil empregados.

Atualmente 170 funcionários trabalham na mina de Sarzedo e a expectativa é que todos sejam incorporados com a concretização do negócio. Segundo Brumer, com a venda da mineradora, o grupo Itaminas, além de equacionar toda a dívida acumulada nos últimos anos, pretende manter a participação nas atividades de ferro-gusa e reflorestamento.

Desde 1996, Jiangsu é considerada uma província irmã de Minas Gerais, como parte dos acordos de irmandade firmado na década passada pelo Estado com regiões de várias partes do mundo. Os acordos preveem cooperação em diversas áreas. "Essa província tem características muito similares a Minas Gerais. Também é uma das mais desenvolvidas da China e representa 10% do PIB chinês. Só que os 10% do PIB chinês são US$ 500 bilhões", observou Brumer.

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