Divulgação/Itapemirim
Divulgação/Itapemirim

Itapemirim recebe 2ª aeronave de sua aérea

Nova empresa deve começar a operar em junho em meio à maior crise do setor; grupo está em recuperação judicial desde 2016

Juliana Estigarríbia, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2021 | 18h34

Após obter autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar voos comerciais em todo o território nacional no início deste mês, o Grupo Itapemirim começou a receber aeronaves para suas operações.

Em nota, a companhia afirma que a segunda aeronave da frota chegou neste domingo, 9, ao aeroporto de Confins (MG). Em um primeiro momento, o Airbus A320 deve ficar no local para trâmites envolvendo o processo de importação. De lá, seguirá para São José dos Campos (SP), onde receberá nova pintura e ser customizada. O Airbus A320 será configurado para 162 assentos.

A empresa já conta com uma aeronave da fabricante europeia. Com 15 anos de uso e capacidade para 180 passageiros, o jato realizou em abril os voos de certificação da Itapemirim junto à Anac.

A Itapemirim enfrenta processo de recuperação judicial e sua entrada no mercado de aviação comercial ocorre em meio à maior crise da história do setor aéreo, diante dos efeitos da pandemia da covid-19 na demanda por voos no Brasil e no mundo.

A empresa também já conseguiu slots (horários de pouso e decolagem) para voar, a partir de junho, entre Ribeirão Preto e Recife, Ribeirão Preto e Guarulhos, Porto Seguro e Guarulhos, Salvador e Guarulhos.

Competição

Além de enfrentar o processo de recuperação judicial desde 2016, o grupo está no meio de uma disputa entre seu atual proprietário e o anterior. O plano de negócios da operação aérea também já mudou completamente em pouco mais de um ano. 

A assessoria de imprensa da Itapemirim informou ao Estadão, em abril, que, para contornar a crise do setor, o projeto agora “prevê um serviço diferenciado aos passageiros”. O grupo informou ainda que o foco será ligar capitais brasileiras e oferecer preços competitivos, sem guerras tarifárias. 

Em fevereiro de 2020, no entanto, o presidente do grupo, Sidnei Piva, havia afirmado ao Estadão/Broadcast que se trataria de uma empresa de baixo custo e que faria voos regionais. O modelo foi, então, questionado por especialistas, dado que as companhias de baixo custo precisam voar rotas de alta densidade, como a ponte aérea Rio-São Paulo, para se pagarem.

Também em fevereiro do ano passado, Piva informou que o investimento - de US$ 500 milhões - seria feito pelo fundo privado da família Al Maktoum, de xeques dos Emirados Árabes Unidos. A divulgação ocorreu após uma missão empresarial a Dubai liderada pelo governador de São Paulo, João Doria, da qual Piva participou.

Não houve, porém, confirmação da injeção de capital. Questionada recentemente, a Itapemirim afirmou que os contratos são confidenciais, o que a impossibilita de divulgar se há outros investidores. Até janeiro, o grupo gastou R$ 15,3 milhões na nova companhia. Desses, R$ 4,4 milhões foram para aluguel de aeronaves. / COLABORARAM LUCIANA DYNIEWICZ E RAYSSA MOTTA

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