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Itaú, Bradesco e Santander preveem mais calotes

Mercado não trabalha com previsão de recuperação econômica antes do segundo semestre de 2016

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2015 | 02h04

Depois da materialização do desemprego nos calotes das pessoas físicas, os grandes bancos privados reforçaram suas provisões para devedores duvidosos no terceiro trimestre, antevendo tempos ainda mais difíceis. O índice de cobertura ultrapassou níveis históricos, com Bradesco e Itaú Unibanco reservando mais de R$ 2 para cada real emprestado em atraso e apoiando-se ainda mais nas receitas com serviços e seguros.

Apesar de o crédito seguir com desempenho tímido, o aumento dos spreads e dos juros contribuíram para que os lucros dos três grandes bancos privados subisse no terceiro trimestre. Juntos, Itaú, Bradesco e Santander Brasil tiveram lucro líquido contábil de R$ 11,8 bilhões de julho a setembro, avanço de 9,6% sobre o mesmo período de 2014. Ajustado, o resultado foi de quase R$ 12 bilhões, com alta de 19,8%.

A tendência, porém, pode estar com os dias contados. Diante do marasmo econômico e da alta do desemprego, os bancos preveem mais atrasos das pessoas físicas e das pequenas e médias empresas. Alguma melhora no ambiente econômico - o que levaria a uma melhora do ambiente de crédito - só viria no segundo semestre de 2016, na opinião de executivos.

"Enquanto não tiverem clareza em relação ao comportamento da economia, empresas e pessoas físicas continuarão mais cautelosas e postergando decisões de investimento e consumo", disse Marcelo Kopel, diretor de relações com investidores do Itaú Unibanco.

Essa falta de clareza foi o pano de fundo para os bancos privados elevarem suas provisões para o terceiro trimestre ainda que Itaú e Santander Brasil tenham registrado inadimplência estável no período, graças ao benefício cambial. Aproveitaram, contudo, o ganho contábil com o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para se resguardarem para o futuro. Analistas projetam, no pior cenário, queda de dois dígitos nos resultados do próximo ano, considerando o cenário atual e ainda o aumento do tributo.

Antecipando-se a este ambiente, o Itaú aumentou seu saldo de provisões em mais de R$ 6 bilhões no terceiro trimestre, na comparação com o segundo. No Bradesco, foram quase R$ 5 bilhões, enquanto o Santander elevou seu colchão em cerca de R$ 600 milhões. Com os reforços, o saldo de provisões conjunto dos grandes bancos privados brasileiros foi a R$ 78,5 bilhões, alta de 12,7% em um ano.

Crédito. Em termos de crédito, os grandes bancos privados tiveram um reforço do câmbio. Itaú divulgou crescimento de 10% no terceiro trimestre, na comparação com 2014. No Santander, a alta foi de 13,4%; no Bradesco, de 6,8%.

O aumento das margens nos próximos trimestres também deverá ser menor, já que o mercado espera que a taxa Selic continue estável. Haverá, porém, um impulso adicional do crédito consignado do INSS. Após quase uma década, o governo autorizou o aumento dos juros máximos cobrados na modalidade. Com isso, o Bradesco deve ter impacto positivo de R$ 400 milhões após rolar toda a sua carteira de cerca de R$ 20 bilhões, diz Eduardo Rosman, do BTG Pactual. O banco diz, no entanto, que o impacto ainda não foi calculado. O Itaú também está fazendo as contas. Segundo Kopel, dos R$ 45,7 bilhões da carteira do banco, a modalidade representa 61%. 

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