Itaú antecipa dados do 3º tri e anuncia lucro de R$ 1,8 bi

Exposição total do banco nas operações de derivativos era de R$ 2,4 bilhões até a última sexta-feira

Cesar Bianconi, da Agência Estado,

27 de outubro de 2008 | 11h38

O Banco Itaú divulgou nesta segunda-feira, 27, que teve lucro líquido contábil de R$ 1,8 bilhão no terceiro trimestre deste ano, antecipando o anúncio de alguns números de seu resultado, como fez o rival Unibanco na última sexta-feira. O valor é 11,8% menor que o lucro anunciado em agosto para o 2º trimestre deste ano, de R$ 2,041 bilhões. O lucro recorrente do banco, que desconsidera efeitos extraordinários sobre o resultado, totalizou R$ 2 bilhões de julho a setembro. A instituição não forneceu dados comparativos com o terceiro trimestre de 2007. O Itaú informou que a exposição total do banco nas operações de derivativos era de R$ 2,4 bilhões até a última sexta-feira.   Veja também: Bradesco tem lucro 5,5% maior e diz que não opera derivativos Lucro recorrente do Unibanco cresce 5,6%, para R$ 704 mi Balanço do Unibanco serviu como calmante, diz analista Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    "Tendo em vista o comportamento dos mercados de capitais e financeiro no Brasil e no exterior, o Itaú decidiu antecipar a divulgação de seus principais dados econômico-financeiros", informou a instituição. Segundo fato relevante, o lucro líquido consolidado do Itaú de janeiro a setembro foi de R$ 5,9 bilhões, com rentabilidade anualizada de 26,3% sobre o patrimônio líquido médio. O lucro líquido recorrente acumulado nos primeiros nove meses do ano foi de R$ 6,0 bilhões, o que representa um crescimento de 12% em relação ao mesmo período de 2007 e rentabilidade anualizada de 26,8%.   Segundo comunicado do banco, o Itaú BBA tinha na última sexta-feira operações de derivativos nas modalidades swap com verificação e target forward junto a 96 clientes. A exposição total do banco nesses produtos a uma taxa de câmbio de R$ 2,30 por dólar, para liquidação no vencimento, era de R$ 2,4 bilhões.   O valor representa uma dívida média de R$ 25 milhões por cliente, sendo a exposição média dos cinco maiores clientes de R$ 184 milhões, segundo fato relevante. Desses clientes, informou o Itaú, 86 têm classificação AA, A ou B. "O valor total dessa exposição representa menos que 1,5% da carteira de crédito e menos que 0,6% dos ativos do conglomerado", de acordo com a instituição financeira. Conforme o Itaú, apenas um contrato está juridicamente com sua eficácia suspensa, em função de dúvida quanto ao seu preenchimento.   Perdas   "A administração do conglomerado, após revisão dos riscos de crédito e após análise de seus advogados dos riscos jurídicos, não vislumbra a ocorrência de efeitos materiais em seus resultados nos próximos trimestres", segundo o fato relevante do banco, que é assinado pelo diretor de Relações com Investidores do Itaú, Alfredo Egydio Setubal.   Além das operações junto a clientes, o Itaú informou que todos os seus investimentos no exterior possuem operações de hedge em moeda, não havendo exposição a risco de variação cambial. "Neste trimestre foi gerada margem financeira de R$ 295 milhões, 1,7% acima do trimestre anterior e, no acumulado de 9 meses, acréscimo de 11% em 2008", de acordo com o banco.   Crédito   A carteira de crédito, incluindo avais e fianças, apresentou crescimento de 44,2% em relação a igual período no ano anterior, atingindo R$ 164,5 bilhões. No Brasil, a carteira de crédito livre, pessoa física, avançou 34,5% em relação a setembro de 2007, atingindo R$ 66,2 bilhões, e o segmento de pessoa jurídica cresceu 55,7% em relação ao mesmo período no ano anterior, totalizando R$ 79,2 bilhões. O índice de inadimplência de crédito atingiu 4,0% em setembro de 2008, sendo que em setembro de 2007 era de 4,7% e no trimestre anterior de 4,3%.   O balanço completo do Itaú será divulgado em 4 de novembro, após revisão dos auditores independentes e aprovação pelo Conselho de Administração em reunião a ser realizada em 3 de novembro.

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