Thiago Teixeira/Estadão
Thiago Teixeira/Estadão

ESG

Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

Imagem Coluna do Broadcast Agro
Colunista
Coluna do Broadcast Agro
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Itaú BBA prevê R$ 6 bi em debêntures para a cana

Banco é o principal financiador de usinas no País, com mais de 20% do mercado

Coluna Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2019 | 05h00

O Itaú BBA espera coordenar a emissão de ao menos R$ 6 bilhões em debêntures incentivadas para investimentos em infraestrutura ao setor sucroenergético nos próximos 12 meses. Pedro Fernandes, diretor de agronegócio do banco, conta à coluna que dez novos projetos podem ser finalizados para que empresas processadoras de cana-de-açúcar e produtoras de etanol e açúcar emitam esses títulos de dívida. O banco é o principal financiador de usinas no País, com mais de 20% do mercado, e foi o primeiro a coordenar a emissão dos títulos, lançados este ano, com uma operação de R$ 200 milhões realizada pela Ipiranga Agroindustrial.

Só o começo

As emissões de debêntures no setor sucroenergético “serão recorrentes”, afirma Fernandes, lembrando que o Ministério de Minas e Energia (MME), responsável pela autorização, já realiza esse processo em outras áreas. Segundo o diretor do Itaú BBA, a maior parte dos recursos captados vai para a renovação de canaviais. Os compradores deverão ser, prioritariamente, fundos de investimentos em infraestrutura. 

Mais recursos

Os Créditos de Descarbonização (CBios) poderão ser utilizados como garantias em empréstimos futuros por usinas, na avaliação o executivo do Itaú BBA. Para isso, falta definir os preços desses títulos, emitidos por usinas dentro da nova política nacional de biocombustíveis, o RenovaBio, e que o futuro mercado, que deve operar a partir de janeiro de 2020, se estabilize.

Tá limpo

A Tereos Amido e Adoçantes Brasil começa a trabalhar nesta semana com um biodigestor que reutiliza resíduos do processamento de milho e mandioca para a produção de biogás na fábrica de Palmital (SP). O insumo substituirá 20% da biomassa comprada pela Tereos para abastecer a usina térmica produtora de energia elétrica da unidade. O investimento foi de

R$ 15 milhões. O novo sistema (foto) trata até 111 mil litros de efluentes por hora e reduz em até 95% da carga orgânica de resíduos. 

Foco no trem

Está na ferrovia o interesse do fundo soberano saudita (PIF, na sigla em inglês) que vai aplicar recursos no setor de infraestrutura brasileiro. “Os sauditas são um dos maiores compradores do agro brasileiro, então faz sentido poder investir no Brasil para baratear o custo para nós também”, diz uma fonte.

No caminho

O investimento de companhias brasileiras na Arábia Saudita, como o recém-anunciado pela BRF, não compromete a produção brasileira, de acordo com Ricardo Santin, vice-presidente e diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). “As nossas empresas precisam ser cada vez mais internacionalizadas, estar em parceria com os produtores locais”, diz. Ele destaca que o Brasil tem vantagem competitiva em relação aos sauditas, com custo muito menor. 

Direto ao ponto

O ConectarAgro está reforçando conversas com o setor público e com reguladores para aumentar a conectividade no campo. “Queremos desde linhas de crédito acessíveis até a simplificação da forma como é taxado o IoT (sigla em inglês para internet das coisas)”, diz Rafael Marquez, diretor de Marketing Corporativo da TIM Brasil. Encontros com a Anatel e o Ministério de Ciência e Tecnologia foram bem avaliados pelo setor. Além da operadora, AGCO, Climate FieldView, CNH, Jacto, Nokia, Solinftec e Trimble integram a ConectarAgro.

Céu de brigadeiro

A Kimberlit Agrociências, que atua no segmento de fertilizantes especiais, deve fechar 2019 com faturamento 25% superior ao do ano passado, de R$ 100,8 milhões. “O nosso mercado tem crescido, em média, 15% por ano. Como devemos crescer acima disso, estamos ganhando participação”, afirma Luciano de Gissi, diretor industrial da Kimberlit Agrociências. A aposta está em novas linhas de indutores de resistência de plantas e adjuvantes, com reforço da atuação em Mato Grosso, principal produtor de grãos do País. 

Investimento

A Bionat, fábrica de defensivos biológicos inaugurada pela Kimberlit em abril, já teve R$ 6 milhões em investimento e deve receber outros R$ 19 milhões nos próximos dois anos. Os recursos vão para o desenvolvimento de produtos próprios e em parcerias com Embrapa e Esalq/USP. A ideia é que, após esse período, a unidade fature R$ 100 milhões. “Os biológicos têm crescido, em média, cinco vezes mais que os defensivos químicos”, destaca Gissi.

Sem risco

Exportadores argentinos asseguram que o Brasil terá suprimento de trigo. Guillermo García, vice-presidente do Centro de Exportadores de Cereais da Argentina, diz que nada mudará na relação entre os países com a troca de governo, em 10 de dezembro. “A colheita avança e promete ser robusta. A oferta para o Brasil e para o mercado argentino está garantida.” Cerca de 90% do trigo que o País importa é argentino. 

 

COLABORARAM AUGUSTO DECKER, ISADORA DUARTE e LETICIA PAKULSKI

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.