Itaú BBA propõe uso de compulsórios para financiar infraestrutura

Os bancos privados estão discutindo com o governo federal a possibilidade de usar parte dos recursos recolhidos pelas instituições financeiras aos cofres do Banco Central, os depósitos compulsórios, para financiamento de obras de infraestrutura.

ALUÍSIO ALVES, Reuters

21 de maio de 2014 | 18h32

O objetivo, explicou nesta quarta-feira o diretor da área de infraestrutura do Itaú BBA, Alberto Zoffmann, é criar canais alternativos para sanear as necessidades de investimento do país no setor, que podem chegar a 1 trilhão de reais.

Atualmente, os bancos no país são obrigados a guardar no BC 44 por cento do volume de depósitos à vista, sem receberem remuneração por isso. No caso dos recursos a prazo, esse percentual é de 20 por cento. Segundo dados do Banco Central, o volume de recolhimentos compulsórios atingiu 415,9 bilhões de reais em março.

A sugestão dos bancos é do uso de parte dos compulsórios à vista, dos depósitos a prazo e também da caderneta de poupança.

"A sugestão é pegar parte dos recursos dos compulsórios para infraestrutura", disse Zoffmann a jornalistas, sem mencionar qual percentual, após participar de evento da Fiesp, em São Paulo.

Segundo o executivo, a proposta foi uma das respostas ao pedido do governo federal aos bancos privados por sugestões de canais de recursos para investir em obras como rodovias, ferrovias, aeroportos e portos.

A alternativa preocupa o governo federal pelos riscos de descasamento de prazos, já que obras como essas demandam estruturas de financiamento por vários anos, enquanto o gerenciamento dos compulsórios é feito diariamente.

Dessa forma, um evento súbito de queda dos depósitos nos bancos poderia atingir o uso de recursos já comprometidos para um empreendimento. 

Os bancos argumentam que a proposta do setor implica apenas no uso de uma parcela desses recursos. Além disso, o risco de descasamento de prazos seria responsabilidade deles próprios e não do governo.

Segundo Zoffmann, a proposta tem sido discutida desde o ano passado, mas ele não revelou se o governo federal tem mostrado interesse firme em levá-la adiante. Para o executivo, embora até agora não há falta de recursos para os projetos, mas isso poderia acontecer nos próximos anos.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pela maioria esmagadora dos recursos para infraestrutura, vem sinalizando que pretende reduzir o ritmo de desembolsos em relação aos últimos anos e dar mais espaço para instrumentos de mercado.

"Faltarão recursos no futuro se andarmos na velocidade que queremos", disse Zoffmann.

O Itaú BBA tem atualmente uma carteira de cerca de 10 bilhões de reais empregados em projetos de infraestrutura. Segundo o executivo, o banco teve um aumento de 35 por cento das receitas com operações no setor, incluindo empréstimos e assessoria, em 2013. A expectativa é que esse ritmo avance para 47 por cento neste ano, disse.

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