Itaú BBA vê ano difícil para mercado de capitais

O fluxo de recursos atual para o Brasil não é bom nem forte o suficiente para viabilizar ofertas de ações no mercado local, sejam elas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) ou subsequentes (follow on), na opinião de Guilherme da Nóbrega, economista do Itaú BBA. Diante do cenário atual, as oportunidades podem ficar para 2013, embora, segundo ele, exista uma empresa ou outra tentando captar via bolsa.

ALINE BRONZATI, Agencia Estado

24 de setembro de 2012 | 12h09

"O ano está sendo difícil para o mercado de capitais. Os investidores ainda estão resistentes ao Brasil", analisou Nóbrega, durante workshop para jornalistas, organizado pelo Centro de Estudos em Finanças (GVCef) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP), em parceria com a BBDTVM - área de fundos do Banco do Brasil.

O especialista, que acaba de voltar de uma rodada de conversas com investidores europeus, destacou que a resistência está maior do que ele mesmo imaginava, com o interesse maior por mercados como México, Chile e Colômbia. "Não é culpa do Brasil. O mercado de capitais está muito relacionado ao resto do mundo", justificou ele.

Quanto aos setores que devem atrair mais recursos no cenário atual, Nóbrega citou indústria e infraestrutura. "Esses segmentos estão com mais apelo que consumo e varejo, por exemplo, cujos ativos ficaram caros. Não está sendo fácil vender o Brasil. Não basta apenas ter demanda. Há o custo-Brasil (câmbio, mão de obra, carga tributária), que deve ser considerado na produção das empresas", avaliou o economista.

Ele também tem uma visão favorável em relação ao setor bancário, embora o nível de rentabilidade não deva ficar nos patamares do passado em meio à queda dos juros. O atual momento, conforme Nóbrega, é de transição e vai se normalizar.

Apesar de considerar o momento difícil para o mercado de capitais, principalmente na captação via ações, o economista lembrou que o potencial de novatas na bolsa é grande, com cerca de 3 mil possíveis candidatas. "Há alguns anos, esse número era de 500 empresas. Mas o mercado de capitais ainda é um veículo de financiamento para companhias de ''certo porte''", concluiu.

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