Itaú, Bradesco e Santander devem fazer proposta pela Credicard

Prazo estabelecido pelo Citibank termina hoje; BB, que participou de grande parte do processo, desistiu do negócio

O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2013 | 02h11

Termina hoje o prazo para que os interessados apresentem propostas pela Credicard, que foi colocada à venda pelo Citibank. O Estado apurou que os três maiores bancos privados do País devem fazer ofertas: Itaú, Bradesco e Santander. O Banco do Brasil, que participou de grande parte do processo, desistiu. Nenhuma das instituições se pronunciou sobre o assunto.

Executivos dos três bancos continuavam a analisar, no início da noite de ontem, os números da Credicard para decidir se fariam mesmo uma oferta.

A reportagem ouviu de fontes diferentes um argumento comum em negociações empresariais neste estágio: ninguém cometeria "loucuras" para comprar o ativo.

Hoje, a Credicard possui 4,7 milhões de cartões de crédito, respondendo por cerca de 10% do faturamento do setor no País. O negócio, porém, é mais amplo. Inclui uma área de financiamentos que engloba os segmentos de crédito ao consumo (incluindo consignado) e imobiliário.

Mudanças. A venda integra os planos globais do Citigroup após a reestruturação que se seguiu à eclosão da crise imobiliária nos EUA, em 2008. O banco, que já foi o maior do mundo, estabeleceu alguns focos de negócio. Nessa estratégia, decidiu abrir mão da Credicard.

Curiosamente, o Citi passou a ser o único dono da Credicard há apenas 7 anos. Em 2006, o banco comprou do Itaú o direito de uso exclusivo da marca por R$ 280 milhões. Dois anos antes, em 2004, o Citi e o Itaú haviam adquirido a fatia que o Unibanco detinha na empresa. Pagaram, na ocasião, R$ 768 milhões cada um pelos 33% do Unibanco.

Naquele momento, passaram a dividir, igualitariamente, o controle da Credicard. O negócio do Citi com o Itaú fechado em 2006 se restringiu ao uso da marca, daí os valores envolvidos serem tão díspares. Na ocasião, Citi e Itaú dividiram, meio a meio, a carteira de cartões da Credicard.

Nas últimas semanas, circularam inúmeros rumores no mercado sobre as negociações. Algumas fontes diziam que o favorito à compra era o Itaú, justamente pelo profundo conhecimento do negócio. Outras argumentavam que a compra seria mais estratégica para o Bradesco, que incrementaria ainda mais um ramo de atuação que vem crescendo fortemente no País.

Uma fonte que conhece o assunto lembra, porém, que as propostas, se vierem, serão conhecidas apenas hoje. Observa, ainda, que todo bom negociador evita, de antemão, mostrar o real apetite que tem no negócio.

A mesma fonte comenta que o vencedor não será necessariamente conhecido hoje, visto que as potenciais propostas não devem ser tão distintas entre si.

Se essa hipótese se confirmar, é provável que o negócio se estenda por mais alguns dias - ou semanas. "Nesse caso, é normal que o vendedor se reúna individualmente com cada interessado para discutir detalhes", diz.

Preço. Para o analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, é difícil estimar um valor para a Credicard hoje. Ele lembra que o R$ 1,536 bilhão pago em conjunto pelo Itaú e pelo Citi pela fatia do Unibanco em 2004 não serve como referência porque a empresa mudou nesse período.

"O segmento de crédito pessoal, por exemplo, perdeu grande parte do apelo nos últimos anos por causa da concorrência com os bancos grandes no consignado, do aumento da inadimplência e dos custos elevados de manutenção dessa operação."

"Em compensação, o comprador pode ter uma grande vantagem, que é a de incorporar uma base de clientes com histórico de crédito conhecido", diz. "É uma situação bem diferente, e vantajosa, em comparação à decisão de ampliar do zero a base de clientes de cartões." / L.M.

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