Daniel Reixeira/ estadão
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Itaú compra varejo do Citibank Brasil por R$ 710 milhões

Negócio, que ainda tem de passar pelo Cade, envolve agências, empréstimos, cartões de crédito, gestão de recursos e seguros

Aline Bronzati e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2016 | 09h13

O Itaú Unibanco anunciou ontem a compra da unidade de varejo do Citibank no Brasil, desbancando o banco espanhol Santander, apontado como o favorito para levar o negócio. A operação, avaliada em R$ 710 milhões, envolve toda operação de varejo do banco americano voltada a pessoas físicas da instituição, incluindo empréstimos, depósitos, cartões de crédito, agências, gestão de recursos e corretagem de seguros. 

As negociações entre as duas instituições financeiras se intensificaram nas últimas duas semanas, com o banqueiro Roberto Setubal, dono do Itaú Unibanco, cuidando pessoalmente dos detalhes da transação, apurou a reportagem. Na edição de sexta-feira, a colunista do Estado Sonia Racy informou na sexta-feira que o valor pago pelo Itaú deveria ficar bem abaixo dos R$ 1,5 bilhão sonhados pelo banco norte-americano. 

Em comunicado ontem ao mercado, o Itaú informou que a operação envolverá a reestruturação societária de algumas sociedades do conglomerado Citibank, de modo que o negócio de varejo no Brasil seja cindido e transferido para sociedades que serão objeto da aquisição. 

A operação de varejo do Citibank conta com 71 agências e aproximadamente 315 mil clientes correntistas, com R$ 35 bilhões entre depósitos e ativos sob gestão (valores brutos na data-base de 31 de dezembro de 2015), além de 1,1 milhão de cartões de crédito e R$ 6 bilhões de carteira de crédito. Com essa aquisição, o Itaú Unibanco passa a ter R$ 1,404 trilhão em ativos.

O Citi anunciou em fevereiro a intenção de se desfazer de suas operações de varejo no Brasil, Argentina e Colômbia e a expectativa era concluir as negociações até setembro (ver texto abaixo). A expectativa, conforme fontes, é que o aval dos reguladores saia no primeiro trimestre do ano que vem. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já sinalizou que deve ser ainda mais rigoroso na análise de fusões e aquisições do setor bancário ao aprovar, em junho último, o negócio entre Bradesco e HSBC, a maior transação do setor.

Na visão da conselheira Cristiane Schmidt, a venda das operações de varejo do Citi no Brasil e qualquer negócio que envolva o setor deve ser considerado “complexo” desde o início do seu julgamento. Isso porque, além do atual nível de concentração do setor no País, tem potencial para afetar uma parte importante da sociedade.

Apetite. O maior interesse do Itaú pelas operações do Citi no Brasil surpreendeu o mercado. O Santander era tido como o favorito para levar o ativo após perder a disputa pelo HSBC para o Bradesco. Pesou no apetite do Itaú Unibanco, segundo fontes, a base de alta renda do Citi e a sobreposição com os seus clientes. Um executivo próximo as negociações destaca que o Itaú poderá ter sinergias na área digital que vem expandindo dentro do banco. Isso porque o Citi estaria um passo atrás nesta questão.

Também fez diferença, de acordo com fontes, o relacionamento com o vendedor. Em 2013, o Itaú comprou a Credicard por R$ 2,8 bilhões. Na semana retrasada, o banco de Setubal anunciou sua 25.ª aquisição, ao comprar a fatia de 40% do BMG na joint venture que constituiu com o banco mineiro na área de crédito consignado (com desconto em folha).

O banco também tem demonstrado maior apetite por aquisições em meio à crise no País, que dificulta o crescimento orgânico. Como consequência, o banco acumula mais de R$ 60 bilhões de sobra de capital oriunda, principalmente, da baixa demanda por crédito. 

Ao final de junho, o Itaú somava quase R$ 136 bilhões de patrimônio de referência, praticamente o dobro do montante mínimo requerido pelo regulador em seu caso, de cerca de R$ 74 bilhões. Seu índice de Basileia, que mede quanto um banco pode emprestar sem comprometer o seu capital, está em 18,1%, bem acima dos 11% mínimos exigidos pelo Banco Central.

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