Itaú corta taxa de administração de fundos

Banco segue movimento de BB e Bradesco; objetivo é atrair investidor da poupança e aumentar o interesse por aplicações de médio e longo prazos

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2012 | 03h05

Seguindo o movimento iniciado por Banco do Brasil e Bradesco, o Itaú vai reduzir, a partir do próximo dia 1.º de junho, a taxa de administração para alguns de seus fundos de renda fixa. O banco vai diminuir também o valor mínimo para aplicação. O objetivo é aproveitar a queda dos juros e a mudança na regra da poupança para atrair as classes C e D para os fundos de curto prazo e também "vender" opções de investimentos de médio e longo prazos para sua base de clientes.

A taxa de administração caiu para quatro tipos de aplicação: na opção Uniclass DI, o valor anual cairá de 2,3% para 2%; para os fundos Uniclass RF e Maxi DI, o porcentual cai de 1,75% para 1,6%; no produto Renda Dividendos Ações, a taxa será cortada de 4% para 2,5%. Nos demais fundos, a aplicação varia de 1,4% (para clientes Premium, que aplicam pelo menos R$ 20 mil) a 2,5% (para o produto Super DI, destinado a todas as faixas de renda).

A redução dos valores de aplicação visa ao aumento do número de clientes que podem aplicar nesses fundos. No caso do Super DI, o valor caiu de R$ 500 para R$ 100, embora a taxa de administração tenha sido mantida em 2,5% ao ano. Nas demais opções, o corte variou de 33% (para os fundos Premium) a 50% (para as opções Uniclass e Plus, por exemplo). Para o produto de dividendos de ações, o mínimo foi mantido em R$ 2 mil.

O fundo DI pode ser uma opção para o cliente que usa a poupança para controlar o fluxo de caixa de sua renda mensal. Segundo o diretor executivo de produtos de investimento e previdência do Itaú Unibanco, Osvaldo Nascimento, muita gente é obrigada a retirar o dinheiro antes do aniversário da poupança - e perde toda a rentabilidade.

"Com o fundo DI, a renda é atualizada diariamente. E a taxa de administração é uma cota em cima do valor anual", explica. Sobre o rendimento incide também o Imposto de Renda, tributo do qual a poupança é isenta.

Mudança de hábito. Para o executivo, é importante que o investidor de todas as rendas comece a pensar em seus reais objetivos e separe os recursos em opções de curto, médio e longo prazos. "Com a tendência de queda nos juros, o rendimento líquido de uma aplicação de R$ 10 mil vai ficar em R$ 500 ou R$ 550 por ano. Por mês, dá menos de R$ 50, o que é o preço de uma pizza", diz Nascimento. "Se o cliente for pensar só no curto prazo, decide não guardar. É por isso que precisa separar um pouco para o médio prazo, que tem rendimentos maiores."

O que antes era detalhe na hora de investir, agora virou prioridade. Tome-se o caso do Imposto de Renda. A incidência do tributo cai de 22,5% para 15%, após dois anos de aplicação. "Se o cliente deixar o dinheiro por mais tempo, dá para combinar papéis com rendimento maior com vantagem tributária", afirma o diretor do Itaú. Segundo ele, o banco precisa orientar o consumidor a pensar em seus objetivos, para organizar suas aplicações conforme cada necessidade. "É preciso entender também qual é o tamanho do risco que ele está disposto a assumir."

O executivo diz que, caso o cliente não consiga informações claras sobre os produtos com os gerentes das agências, existe o InvestPhone, serviço que funciona como uma linha direta com consultores de investimentos. É uma boa forma de o cliente conhecer mais sobre produtos específicos.

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