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Itaú cria índice para medir bem-estar

Indicador mostra que PIB e satisfação caminham próximos, mas não juntos

FERNANDO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2012 | 03h07

O bem-estar dos brasileiros cresceu mais rápido do que o Produto Interno Bruto (PIB) logo depois do Plano Real. Em seguida, o bem-estar ficou estagnado durante alguns anos, enquanto o PIB crescia, ainda que moderadamente. Entre 2003 e 2007, o PIB e o bem-estar aumentaram juntos e no mesmo ritmo. De 2008 a 2010, ambos continuaram a crescer, mas o bem-estar ficou ligeiramente para trás.

Esses são os resultados do Índice Itaú de Bem-estar Social, e estão no relatório que o maior banco privado do País vai divulgar esta semana, explicando os objetivos e a metodologia do novo indicador.

"A discussão sobre felicidade, bem-estar e sustentabilidade aumentou muito nos últimos anos não só no Brasil, mas em todo o mundo, e nós decidimos entrar nesse debate com um indicador que traga uma contribuição", diz Caio Megale, economista do Itaú encarregado do projeto.

Os indicadores de bem-estar e de felicidade, de fato, são um assunto que cada vez mais ocupa os economistas. Há uma clara tendência de considerar que os dados puramente econômicos, com o PIB e o PIB per capita, são insuficientes para medir o bem-estar e guiar as política públicas.

O problema óbvio, porém, é que é muito mais fácil medir indicadores econômicos do que o bem-estar e a felicidade que, evidentemente, são sensações subjetivas, com variações extremas entre os indivíduos.

A camelô Adriana Conceição Vieira, por exemplo, que trabalha no centro do Rio, com 32 anos e ensino fundamental até a sexta série, se considera uma pessoa feliz, mas menos hoje do que há alguns anos. O motivo, porém, dificilmente seria captado num indicador nacional de bem-estar. Ela acha que está mais difícil trabalhar, por causa dos "choques de ordem" no Rio de Janeiro que reprimem os vendedores ambulantes.

"Toda hora fecha pano, abre pano, arruma banca, fecha banca", diz Adriana, que também desdenha do trabalho formal, que normalmente seria associado a ganhos de bem-estar. "Como camelô bem ou mal todo dia tem um dinheirinho, já pensou se eu fosse esperar o mês todo para receber?"

O Itaú, porém, optou por construir um índice baseado em indicadores quantitativos diretamente ligados ao bem-estar, com séries históricas confiáveis, no estilo do Indicador de Desenvolvimento Humano (IDH). Dessa forma, não estão incluídas pesquisas com perguntas diretas à população, que também são comuns na construção de indicadores de felicidade e bem-estar.

O Índice Itaú de Bem-estar Social está subdivido em três subindicadores: condições econômicas, condições humanas e desigualdade social. O índice de condições econômicas é uma combinação de dados de consumo e emprego. O consumo é extraído das vendas do varejo, vendas de veículos e inflação. O varejo é contabilizado indiretamente pelas consultas ao Sistema de Proteção ao Crédito (cuja série permite recuar mais no passado que as vendas do varejo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE).

Para medir o emprego, utiliza-se a taxa de desemprego, a taxa de participação (proporção das pessoas em idade ativa empregadas ou buscando trabalho) e o rendimento médio real.

O índice de condições humanas é dividido em três blocos. O primeiro, de saúde e saneamento, tem dados de mortalidade infantil, expectativa de vida, incidência de tuberculose, e acesso a banheiro e à rede de esgoto no domicílio. O segundo bloco, de educação, utiliza os anos médios de escolaridade, e o padrão de distribuição da escolaridade entre as pessoas. O terceiro bloco, finalmente, é a segurança, medida pela taxa anual de homicídios em todo o País.

O terceiro subindicador é o de desigualdade social, medido por dois índices tradicionais, o Gini e o Theil. O relatório do Itaú nota que, ao contrário dos subindicadores de condições econômicas e humanas, o de desigualdade não afeta diretamente o bem-estar individual. "O bem-estar vem indiretamente, através da vida cotidiana em um sociedade mais equânime", segundo o trabalho. A desigualdade caiu em todos os anos da série construída pelo Itaú, com exceção do primeiro - isto é, de 1992 para 1993.

O Índice Itaú de Bem-estar Social, que combina os três subindicadores, também cresceu sistematicamente desde 1993, e de forma mais acelerada no Plano Real. (ler mais abaixo)

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