Itaú deve reduzir juro de todos os cartões a um dígito até fim do ano

Para quem é correntista do banco, os juros máximos já caíram para menos de 10% este mês

O Estado de S. Paulo e Agência Estado,

25 de setembro de 2012 | 15h45

O Itaú Unibanco terá taxas de juros máximas de um dígito no cartão de crédito para todos os clientes até o final do ano, afirmou o presidente executivo do banco, Roberto Setubal, em entrevista à imprensa nesta terça-feira, 25.

Para quem é correntista do banco, os juros máximos já caíram para menos de 10% este mês. A taxa média praticada para clientes e não clientes está em 5,5% ao mês. A taxa máxima para não clientes está em 13,9%.

Setubal disse que, no orçamento que o banco desenhou no ano passado para 2012, o Itaú já previa juros menores no crédito.

Rentabilidade em queda

Setubal afirmou que os bancos devem apresentar rentabilidade menor no Brasil nos próximos anos em meio à retração do custo de capital. Há cerca de dois anos, a rentabilidade do sistema financeiro estava em 16% e atualmente é de 14,5%, disse. Este porcentual está um pouco acima do custo de capital atual, de acordo com Setubal.

"À medida que o custo de capital se reduz diante do cenário de juros baixos, a rentabilidade de todos os setores, inclusive o financeiro, deve cair", avaliou Setubal.

Questionado sobre até que nível a rentabilidade pode ser reduzida, ele destacou que isso vai depender de até onde o custo de capital será diminuído. "O Itaú Unibanco gasta R$ 35 bilhões por ano só para abrir as portas", informou Setubal.

O Itaú Unibanco faz na tarde de hoje reunião com analistas e investidores da Apimec.

Pressão

A redução de juros no cartão de crédito anunciada hoje pelo Itaú segue o fluxo de outras instituições bancárias, que, pressionadas pelo governo, já reduziram suas taxas. O Bradesco, ontem cortou em aproximadamente 50% as taxas de juros das compras parceladas e do rotativo. O Banco do Brasil e Caixa já haviam anunciado medidas neste sentido no começo de setembro, e o próprio Itaú, em agosto, criou uma nova modalidade de cartão, em que o juro máximo caiu pela metade.

As taxas, contudo, permanecem elevadas na comparação com outras modalidades de financiamento ou com a taxa Selic, juro básico da economia. Segundo dados do Banco Central (BC), em agosto a taxa média de juros para as pessoas físicas estava em 36,2% ao ano. A taxa Selic está em 7,5% ao ano.

O elevado custo das operações no cartão de crédito está na mira do governo. Em recente entrevista ao Estado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou de "escorchantes" os juros da modalidade. Por isso, representantes do setor privado estão discutindo com o governo uma agenda que abra caminho para uma redução consistente dos juros. Uma das propostas em análise é o fim do parcelamento sem juros no cartão.

Nos últimos cinco anos, a base de cartões de crédito no Brasil praticamente dobrou: em junho de 2012, eram 183,5 milhões, ante 92,4 milhões em junho de 2007.

BB, Caixa e Santander disseram que ainda estão analisando o mercado de crédito para definir se vão reduzir os juros./ Luiz Guilherme Gerbelli, Leandro Modé, Altamiro Silva Junior e Aline Bronzati

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