Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Itaú e Mastercard se unem para operar nova rede de pagamento

Segundo fontes de mercado, aliança pode representar o 'ressurgimento' da marca Credicard

ALINE BRONZATI , O Estado de S.Paulo

17 de março de 2015 | 02h05

O Itaú Unibanco se uniu à bandeira internacional de cartões MasterCard para criar uma nova rede de pagamentos eletrônicos que deve significar o ressurgimento da Credicard, adquirida pelo banco por quase R$ 2,8 bilhões em 2013, segundo apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. A iniciativa tem como pano de fundo a intenção do banco de ter uma marca de aceitação nacional e internacional pelo prazo de 20 anos.

A nova rede de pagamentos será controlada pela MasterCard, que responderá pela gestão do arranjo, processamento das transações e suporte tecnológico. Já o Itaú terá direitos de veto e aprovação e fará a emissão e adquirência (credenciamento de lojistas para a captura de transações com cartões) do negócio.

"O novo arranjo de pagamentos permitirá alavancar nosso tamanho e importância, proporcionando maiores ganhos de escala (teremos condições comerciais de um contrato de longo prazo). Teremos acesso a tecnologia e rede internacional e o acordo contempla a evolução da nossa estrutura de bandeiras", resumiu o Itaú, ao Broadcast.

O movimento de Itaú e MasterCard já era esperado, segundo um executivo do mercado de cartões, e na prática também prevê a transferência do serviço de processamento das operações dos plásticos do Itaú para a plataforma da MasterCard a preços atrativos. "As bandeiras estão se posicionando desde o ano passado no mercado de processadoras de transações", diz um executivo de mercado.

Em troca, conforme a mesma fonte, o Itaú teria assumido um compromisso de tentar migrar boa parte de sua base de cartões com a concorrente Visa para a MasterCard. Tal possibilidade já gerou desconforto e preocupação na líder do mercado, que viu sua base com o banco ameaçada, de acordo com a fonte, por conta dos possíveis impactos da aliança estratégica anunciada nesta segunda-feira. Procurada, a bandeira de cartões internacional Visa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comenta rumores.

"O Itaú já usava a plataforma da MasterCard e precisaria de muita tecnologia para desenvolver a sua própria. Ao se aliar à MasterCard, encurtou o caminho para tentar reagir ao avanço de outras bandeiras", diz um executivo do mercado de cartões. Apesar de se associar a um grupo internacional, o banco garante que vai manter sua outra marca própria Hiper (ex-Hipercard). Questionado sobre uma possível mudança em relação à sua bandeira de cartões, o banco diz "que qualquer evolução da Hiper será analisada oportunamente".

"Essa aliança estratégica nos permitirá concentrar no crescimento das operações de emissão e adquirência, principalmente relacionadas à nova rede de pagamento, para acessar novas tecnologias de pagamento, obter ganhos de escala e eficiência, e, principalmente, usar a experiência que a MasterCard tem na gestão de bandeiras de pagamento", explica Milton Maluhy Filho, diretor executivo do Itaú, em nota.

O Itaú também vai continuar trabalhando, conforme ele, com outras redes, inclusive cartões comerciais e co-branded (similares aos cartões de loja). Segundo o banco, a nova rede de pagamento vai operar com as demais adquirentes do setor, em linha com a exigência das autoridades.

A parceria do Itaú com a MasterCard não vem de hoje. A bandeira de cartão internacional já prestava serviços de roteamento de transações de cartões de crédito e débito das marcas proprietárias do banco. Sobre a expectativa de resultados da nova aliança, o banco afirma somente que os mesmos que virão ao longo dos 20 anos do acordo e descarta impacto material nos seus resultados de 2015.

A conclusão da aliança estratégica entre Itaú e MasterCard está sujeita ao cumprimento de condições precedentes, incluindo a aprovação dos órgãos reguladores. Procurado, o banco não comentou sobre a possibilidade de utilizarem a marca Credicard na aliança anunciada nesta segunda-feira nem em relação à transferência dos serviços de processamento de operações para a plataforma da MasterCard.

Aquisição. O Itaú Unibanco adquiriu a Credicard em maio de 2013 após ter disputado o ativo com Bradesco e Santander. O banco ajudou a constituir a base de cartões da empresa, mas, no final de 2006, vendeu sua participação de 50% ao Citibank por R$ 280 milhões. Depois, comprou a Credicard novamente por R$ 2,8 bilhões por uma carteira de crédito (valor bruto) de R$ 7,3 bilhões e uma base de 4,8 milhões de cartões.

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