Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Itaú embolsa quase todo aporte na XP com venda de 5% após fortalecer concorrente

Movimento marca o início da saída do banco da corretora três anos depois de ter comprado uma fatia da companhia; com a operação, Itaú ainda detém 41,1% do capital da XP

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2020 | 10h00
Atualizado 04 de dezembro de 2020 | 12h08

O Itaú Unibanco vai colocar no bolso quase tudo o que investiu na XP Investimentos com a venda de apenas parte de sua participação na corretora. O movimento, concluído na noite da última quarta-feira, 2, marca o início da saída do maior banco da América Latina da maior plataforma de investimentos do País três anos após ter feito a compra de fatia da companhia. Sem conseguir o controle do negócio, impedido pelo Banco Central, o Itaú obteve um gordo retorno sob a ótica de investimento, multiplicando-o por cerca de 10 vezes, mas ao custo de fortalecer um de seus principais concorrentes.

As ações detidas pela holding do Itaú foram precificadas em US$ 39, com desconto de 3,49% sobre o preço de fechamento da última quarta. A operação movimentou US$ 935 milhões. O volume, contudo, pode subir para US$ 1,052 bilhão - mais de R$ 5 bilhões -, após o exercício do lote adicional, green shoe, no jargão de mercado, batendo os 5% do capital total da XP.

Com a operação e a emissão primária feita pela XP, a fatia do Itaú passou para 41,1% do capital da empresa. Antes, era de 46,05%. Após o exercício do lote adicional das ações, caso seja total, cairá para 40,5%, de acordo com fato relevante publicado pelo banco.

O restante será segregado em uma nova companhia, chamada de NewCo, conforme o banco aprovou na semana passada. Em contrapartida, a XP estuda uma possível fusão com essa nova empresa. Nesse movimento, o Itaú deixa de ser sócio da corretora e os acionistas do banco, como a Itaúsa, que controla o conglomerado, terão uma participação minoritária na NewCo.

"O fato é que eles multiplicaram por dez o valor investido e com a venda de 5% retornaram o capital para o banco. Os 41% que vão para a NewCo são lucro", diz o diretor de renda variável da casa de análise Eleven Financial, Carlos Daltozo.

O fim da sociedade, que deve se concretizar no próximo ano, ocorre após Itaú e XP se desentenderem publicamente - o que jogou luz sobre um possível divórcio. Meses depois das farpas trocadas por conta de um anúncio do banco que criticou o modelo de atuação da corretora, na TV, a separação veio à tona.

Em expansão

O Itaú sempre almejou o controle da XP em meio ao avanço da corretora sobre uma de suas principais frentes de atuação: investimentos. No entanto, o modelo do negócio foi barrado pelo Banco Central. Apesar disso, o banco seguiu em frente com a aquisição de uma fatia minoritária e, de quebra, ajudou a fortalecer um de seus principais concorrentes.

O Itaú é o banco de quem a XP mais rouba cliente e nada mudou depois disso, diz uma fonte, na condição de anonimato. Quando o conglomerado aportou cerca de R$ 6 bilhões da corretora, a avaliação da empresa, na época, foi de R$ 12 bilhões. Hoje, a XP vale cerca de R$ 112 bilhões.

Nesse ritmo de crescimento, a XP já ultrapassou pesos pesados do setor bancário como o Banco do Brasil, avaliado em pouco mais de R$ 100 bilhões. No início do ano, chegou a superar também o Santander Brasil. A companhia já vale metade do Bradesco, que tem valor de mercado de cerca de R$ 217 bilhões. No caso do rival e ainda sócio Itaú, está um pouco mais distante. O maior banco da América Latina vale hoje quase R$ 280 bilhões na B3, a Bolsa de São Paulo.

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