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Itaú encerra atendimento a pessoas físicas no Japão

Queda nas remessas de imigrantes leva banco a priorizar clientes corporativos; contas de cerca de 30 mil clientes serão transferidas para o Banco do Brasil

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2013 | 02h07

BRASÍLIA - Com a redução nas remessas de imigrantes brasileiros, o Itaú Unibanco decidiu encerrar o atendimento a pessoas físicas no Japão. Oficialmente, o maior banco privado do País afirma que a medida faz parte de um reposicionamento da atuação para "maior alinhamento do modelo operacional".

O enfoque na Ásia, assim como ocorre em outros países do Hemisfério Norte, será em clientes corporativos e institucionais, private banking e serviços de asset management, que não necessitam da estrutura física de agências. A decisão faz com que o banco concentre suas atividades de varejo na América Latina, onde tem agências na Argentina, no Chile, no Paraguai e no Uruguai.

A agência do Itaú em Tóquio, que tinha o envio de remessas como carro-chefe, não abre mais conta para pessoas físicas desde o fim de agosto, quando deixou de oferecer produtos como aplicações em depósitos a prazo. Órgãos reguladores no Brasil e no Japão e demais partes interessadas foram avisados.

O Itaú está orientando seus cerca de 30 mil clientes a transferir suas contas para o Banco do Brasil, que está no mercado japonês há 41 anos, com agências em quatro cidades, subagências em mais três e 55 mil terminais de autoatendimento. Até dezembro, o Itaú enviará o formulário do BB para que os clientes façam a migração.

Serviços. As contas não serão encerradas automaticamente, mas os serviços por meio de canais remotos como internet banking e terminais de autoatendimento não estarão mais disponíveis a partir de 5 de março do ano que vem. Com exceção dos clientes que têm depósito a prazo a vencer após essa data, o Itaú cobrará a tarifa de manutenção da conta no valor de 1.000 ienes (R$ 22,87) por mês, mais impostos, para conta com saldo inferior a 100 mil ienes - R$ 2.286,75.

A entrada do banco privado no Japão ocorreu em 2004, com a abertura da primeira agência em Tóquio. Em dezembro de 2006, o Itaú comprou as operações de depósitos e remessas dos clientes do Banespa.

Concorrência. A saída deixa caminho livre para o Banco do Brasil ampliar sua atuação naquele país. O maior banco público do País tem atualmente 101 mil clientes entre brasileiros, latino-americanos de língua espanhola, japoneses e outros. Um dos diferenciais da instituição é o atendimento em quatro idiomas (português, espanhol, japonês e inglês).

Com a saída do Itaú, nenhuma outra instituição financeira brasileira, além do BB, terá agências no Japão. A Caixa tem um escritório de representação e o Bradesco fechou parceria com dois bancos locais - Daito Bank e Tokyo Mitsubishi - para os serviços de remessas de recursos para o Brasil.

Imigrantes. O governo estima que 210 mil decasséguis vivam no Japão atualmente, atrás apenas de 1 milhão de brasileiros nos EUA. "O apoio às comunidades brasileiras no exterior é um dos pilares do processo de internacionalização do Banco do Brasil", disse o diretor de negócios internacionais do banco, Admilson Monteiro Garcia.

"Os valores captados no Japão são fonte estável e de custo atrativo, destinadas preferencialmente ao financiamento do comércio exterior Brasil-Japão e às empresas brasileiras lá instaladas. Há inúmeras linhas de negócios possibilitando a captura de sinergias e, consequentemente, alavancando resultados", afirmou, mencionando que o banco também possui relação com empresas, embaixadas e consulados e outras instituições financeiras no Japão.

Em relação ao envio de remessas, Garcia disse que o envio de dinheiro dos brasileiros que vivem no Japão e utilizam a conta do BB caiu 11%. No entanto, segundo ele, o fluxo continua bastante relevante, já que o Japão é o país com a maior número de ordens originadas em agências do BB no exterior e encaminhadas ao banco no Brasil.

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