Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Itaú fecha acordo para comprar 49,9% da corretora XP por R$ 6,3 bilhões

Banco poderá ampliar sua fatia na corretora fundada em 2001 para 75%, mas, mesmo assim, não terá o controle da companhia

Luciana Dyniewicz, Cynthia Decloedt, Fernanda Guimarães e Aline Bronzatti, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2017 | 21h35

Depois de pouco mais de 30 horas de negociação para acertar os termos do contrato, o Itaú e a XP Investimentos assinaram, agora há pouco, os papéis que passam 49,9% da corretora para as mãos do banco. O negócio, conforme antecipado pela Coluna do Broad e pela colunista Sonia Racy, foi fechado em R$ 6,257 bilhões e prevê que o Itaú possa deter até 75% da empresa nos próximos anos, segundo o Estado apurou.

O banco, entretanto, não poderá avançar no controle da empresa, garantindo a independência que o sócio fundador da XP, Guilherme Benchimol, exigia - o contrato prevê  que 51% dos papéis com direito a voto fiquem com Benchimol e outros sócios pessoas físicas. Esse grupo venderá 40% da fatia negociada. O restante virá do fundo de private equity General Atlantic e da gestora Dynamo, que, juntas, detêm hoje 49,5% da XP. Assim, nenhum dos atuais sócios deixará agora a corretora.

A expectativa pelo negócio fez com que as ações do Itaú subissem 1,71% e fechassem o dia valendo R$ 39,75.

Com a assinatura dos papéis, acaba o  projeto de IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) da XP, que havia protocolado o pedido de abertura de capital junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na quarta-feira. A intenção era levantar R$ 5 bilhões com a operação, programada para ocorrer nos primeiros dias de julho. As apresentações do IPO para investidores estavam inclusive agendadas para começarem nesta quinta no Brasil e na próxima segunda-feira no exterior.

De acordo com fontes próximas à negociação, o Itaú apresentou a proposta de aquisição no último fim de semana, já com a garantia de que Benchimol permanecesse no controle. As discussões sobre os detalhes do contrato foram iniciadas no início da manhã de quarta e seguiram de forma ininterrupta até as 8h30 de ontem, sendo retomadas às 13h30. Anteriormente, outros bancos haviam procurado a XP, mas não avançaram por causa da intenção de Benchimol em manter o controle.

Independência. A garantia de independência é vista como essencial para manter o modelo de negócio que alavancou o crescimento da empresa. A plataforma de investimentos comercializa fundos de diferentes bancos e havia a preocupação de que uma aquisição interferisse nessa estratégia.

O Itaú lançou, recentemente, uma plataforma semelhante à da XP, a Investimento 360. Segundo afirmou na quarta-feira ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o diretor executivo do Itaú, Flávio Souza, responsável pela área de gestão de grandes fundos, a compra da XP não acaba com a plataforma 360.

Além da XP, fazem parte do grupo que foi negociado as corretoras Clear e Rico – esta última foi adquirida pela XP, mas o negócio ainda precisa de aprovação do Banco Central. A corretora teve alta de 170% no lucro líquido no primeiro trimestre deste ano

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