Itaú fica com 3,6% da petroleira argentina YPF

O Itaú Unibanco ficou com 3,609% das ações da recentemente expropriada empresa argentina de gás e petróleo YPF, que pertencia à espanhola Repsol. A operação de aquisição das ações, num valor de US$ 157,8 milhões, foi o resultado, na verdade, da execução da garantia de um crédito ao grupo argentino Petersen, controlado pela família Eskenazi.

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h06

O caso do Itaú Unibanco é semelhante ao do bilionário mexicano Carlos Slim, que na semana passada anunciou ter ficado com 8,4% das ações da YPF. O mexicano obteve os papéis da empresa petrolífera por conta da dívida que o mesmo grupo Petersen tinha com ele.

O Petersen havia recebido em 2008 um total de US$ 1,018 bilhão de um sindicato de bancos - além de um empréstimo da própria Repsol - para comprar 14,9% das ações da YPF. No ano passado, com respaldo do governo Kirchner, o grupo adquiriu outros 10% da YPF, graças a uma nova ajuda financeira de um grupo de bancos e também, mais uma vez, da Repsol. Mas, com o calote do grupo, as ações, que eram a garantia dos créditos, passaram para os credores.

O responsável pelo Departamento de Relações com o Mercado da YPF, Gabriel Abalos, indicou que "não é propósito de quem adquire (o Itaú Unibanco) obter uma participação maior nem alcançar o controle da vontade social da Sociedade (YPF)". Segundo o comunicado, a operação da passagem das ações ao banco brasileiro foi concretizada no dia 12 de junho.

A YPF, a maior empresa de gás e petróleo da Argentina, tornou-se a menina dos olhos da presidente Cristina Kirchner desde o dia 4 de maio, quando anunciou a expropriação de 51% das ações da empresa, que pertenciam à Repsol. Segundo Cristina, o país "recuperará a soberania energética" com a "recuperação", "nacionalização" e "reargentinização" da YPF.

Cristina espera atrair investidores estrangeiros para turbinar a recém-expropriada companhia, responsável por 34,9% do mercado argentino de petróleo e 23,8% do mercado de gás.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.