Itaú gasta R$ 10 bi para fechar capital da Redecard

Banco diz que espera ter participação mais ativa e direta, não só no mercado de cartões, mas em todo mercado de pagamentos do País

O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h08

O Itaú Unibanco assumiu o controle da empresa de meios de pagamento Redecard em uma oferta ontem, protegendo uma importante fonte de receitas no maior banco privado do Brasil do impacto das taxas de juros mais baixas e desaceleração no crescimento do crédito.

Os acionistas minoritários, que detinham 49,9% da Redecard, venderam quase 299 milhões de ações na oferta, informou a BM&FBovespa em um comunicado. O Itaú vai pagar R$ 10,46 bilhões, tornando a transação a maior compra feita no Brasil neste ano.

A compra da Redecard vai ajudar a impulsionar um segmento que responde por 7% do lucro anual do Itaú e é uma importante fonte de receitas de serviços.

Além de ser capaz de oferecer serviços bancários e serviços integrados de processamento de cartão para os varejistas, o Itaú vai usar a Redecard para obter participação de mercado de concorrentes em um setor de US$ 400 bilhões, segundo analistas.

"O acordo faz sentido para ambos - para o modelo Itaú de negócios e para a posição competitiva da Redecard", disse Francisco Kops, analista da JSafra Corretora.

O Itaú tinha planejado tirar a Redecard da bolsa se a compra fosse bem-sucedida. A aquisição deixa a Cielo, a maior empresa de meios de pagamento do Brasil, como a única empresa do setor listada no Brasil.

"A integração da infraestrutura entre o banco e a credenciadora, nos permitirá realizar uma oferta combinada de produtos bancários e serviço de adquirência", disse, em comunicado, Marcio Schettini, vice- presidente executivo do Itaú Unibanco responsável pela área de cartões.

Segundo Schettini, o banco agora espera ter uma participação mais ativa e direta, não apenas no mercado de aquisição de cartão de crédito, mas em todo o mercado de pagamentos.

Ontem pela manhã, a expectativa era de que o capital da empresa fosse fechado, mas havia ainda dúvidas sobre a participação dos minoritários. A Lazard, uma das maiores acionistas minoritárias da Redecard, estava relutante em aderir à oferta pública de aquisição.

Inicialmente, um grupo de acionistas resistia a aderir à OPA para o fechamento de capital da Redecard. Para ele, o valor adequado seria de cerca de R$ 40 e não os R$ 35 propostos pelo Itaú Unibanco. Foram solicitados, inclusive, dois laudos adicionais de avaliação do preço justo a ser pago por ação. Porém, as duas instituições, Credit Suisse e o Rotschild, sugeriram intervalos de preços próximos do valor sugerido pelo banco que sempre se mostrou irredutível em aumentar o preço.

Dia atípico. Num dia apático no mercado, o leilão da Redecard foi o destaque do pregão. E o Itaú Unibanco conseguiu o que queria: a oferta pública de aquisição de ações da credenciadora foi um sucesso e, em cinco minutos, o leilão para fechar o capital da Redecard terminou.

O Ibovespa passou grande parte do dia em baixa, mas perto do fim virou e terminou o dia com elevação de 0,96%. O papel ON da Redecard encerrou com valorização de 0,69%. Já a ação PN Itaú Unibanco, responsável pela OPA, terminou com alta de 0,33%. / AGÊNCIA ESTADO e REUTERS

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