Hélvio Romero|Estadão
Hélvio Romero|Estadão

Itaú prevê retração de 2,8% do PIB e dólar a R$ 4,50 em 2016

Para o economista chefe do banco, Ilan Goldfajn, fraqueza da economia vem da incerteza política do País

Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2015 | 14h06

SÃO PAULO - A retração do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no ano que vem deverá ser de 2,8%, afirmou o economista chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn. Para 2015, a projeção é de uma queda de cerca de 3,7%. "Não conseguimos ver ainda uma estabilização da economia", disse. Ainda sobre o ano que vem, o economista prevê que o maior recuo acontecerá no primeiro semestre do ano.

Segundo Goldfajn, a deterioração fiscal continua, com as receitas em queda e despesas obrigatórias em alta. Assim, a estimativa é que o Brasil encerre este ano com um resultado primário de -1,2% do PIB. Para 2016, a projeção é de -1,3% do PIB. "A incerteza em relação a essa economia fraca vem da incerteza política, que não permite decisões. Isso deve continuar em 2016", disse, lembrando que os investimentos no Brasil estão em queda há nove trimestres.

Em relação ao câmbio, Goldfajn estima que ao final do ano que vem a taxa de câmbio chegará em R$ 4,50. Sobre a inflação, o economista disse que parte dos ajustes já ocorreram, ou seja, o pior deverá ficar em 2015 em relação a esse ponto. Além da forte depreciação da moeda, os preços administrados já foram ajustados, lembrou. Assim, ele estima um IPCA de 6,8% no ano que vem. "Muitos preços relevantes foram ajustados neste ano e não precisarão se ajustar em 2016", disse. Em 2015, o IPCA deve superar o nível de 10%.

O economista explicou que apesar da comunicação do BC indicar que poderá aumentar os juros, ele acredita que não há fundamento, neste momento, para que isso ocorra. Caso a comunicação do BC insista nessa sinalização de mais aumento dos juros, ele admitiu que poderá revisar sua projeção.

Enquanto isso disso, Goldfajn acredita que não será necessário uma nova rodada de aumento dos juros e projeta que a Selic será mantida em 14,25% ao longo de 2016. "Talvez o Banco Central espere um pouco para ver o que acontece", destacou. 

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