Itaú quer atrair mais investidores estrangeiros

Banco lançará fundos só para estrangeiros e quer dobrar participação deles no segmento de gestão de ativos

O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2011 | 03h04

O Itaú Unibanco, segundo maior banco da América Latina, planeja atrair mais investidores estrangeiros para o seu segmento de gestão de ativos, que deve lançar dois novos fundos no começo do ano que vem.

"Atualmente, os investidores estrangeiros representam 10% dos ativos que gerenciamos e nós queremos expandir essa participação para 20% do total", afirma o diretor de Gestão de Recursos da Itaú Asset Management, Paulo Corchaki.

O banco tem cerca de US$ 200 bilhões em ativos sob gestão, o que o coloca na categoria de médio porte. Corchaki afirma que esse volume deve crescer quase 10% no ano que vem, em função dos altos juros oferecidos no Brasil. O grupo também espera uma expansão de 10% em novos negócios, e os investidores estrangeiros devem ter um grande papel nisso, diz o diretor.

Segundo ele, os investidores estrangeiro atualmente respondem por aproximadamente US$ 20 bilhões do total de ativos - e quase a totalidade é de clientes japoneses.

O Itaú planeja abrir dois novos fundos de investimento no ano que vem, visando exclusivamente investidores estrangeiros: um de dívidas soberanas brasileiras e outro para dívidas corporativas da América Latina.

"Nós não temos uma meta para a quantia a ser levantada por cada fundo, mas não seria uma surpresa se nós levantássemos US$ 500 milhões em cada um", comentou Corchaki. No mercado geral, a unidade de gestão de ativos quer lançar o menor número de fundos possível, garantindo que os fundos realmente lançados sejam "bons", explica o diretor.

Juro alto. Os investidores estrangeiros estão querendo comprar dívidas brasileiras em razão dos enormes juros praticados no País. A taxa básica do Banco Central, a Selic, está atualmente em 11,5%, a maior entre as grandes economias do mundo. Em boa parte dos países desenvolvidos, as taxas de juro estão próximas de zero.

Este ano, a Itaú Asset Management trouxe dois fundos soberanos como clientes. Para Corchaki, isso representa um aumento na base de investidores. Até 2014, estimativas do mercado sugerem que os fundos soberanos podem ter quase US$ 13 trilhões em ativos sob gestão, afirma o executivo.

Transparência. Corchaki diz ainda que os bancos brasileiros estão atraindo investidores estrangeiros porque eles são mais transparentes e não têm os mesmos problemas regulatórios observados em outras instituições de crédito globais. Outra vantagem, segundo ele, é que os bancos brasileiros podem manter ativos nos seus balanços patrimoniais e não precisam recorrer a complexos mecanismos como securitização, por exemplo.

Em um nível mais básico, a unida de gestão de ativos do Itaú opera sete exchange traded funds (ETF), que são listados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). No nível mais complexo, existe uma unidade que opera como um fundo de hedge independente, que segundo Corchaki é o maior operador "long-short" - que procura obter ganhos com operações de arbitragem com ações - do mercado brasileiro./ DOW JONES

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