Antonio Cruz|Agência Brasil
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Itaú revisa previsão do PIB brasileiro em 2016 de -2,8% para -4%

Para o banco, economia recuou 'acentuadamente' desde o fim do ano passado e que o Brasil só deve se estabilizar no 2º semestre

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2016 | 14h25

SÃO PAULO - O Itaú Unibanco informou nesta sexta-feira, em relatório enviado a clientes, que revisou a sua previsão de queda para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2016 de 2,8% para 4%. "A economia recuou acentuadamente no fim do ano passado e indicadores antecedentes sugerem a continuidade da contração neste início de ano. Como acreditamos que a economia só deva se estabilizar a partir do segundo semestre, projetamos agora uma contração de 4% em 2016", explica o documento, assinado pelo economista-chefe do banco, Ilan Goldfajn.

A revisão ocorre dois dias depois de o presidente do banco, Roberto Setubal, ter dito, em teleconferência com analistas e investidores, que o PIB brasileiro deve apresentar retração de 2,5% a 5% neste ano.

Apesar de piorar a revisão para 2016, o banco aponta no relatório que melhorou sua projeção para 2017, agora com uma alta de 0,3%, contra uma estabilidade na estimativa anterior. Mas ponderou que a recuperação depende da "reação da política econômica e de choques internacionais". Ainda assim, o mercado de trabalho deve apresentar piora nos dois anos, com um aumento da taxa de desemprego para 13% em 2016 e para 13,4% no ano seguinte, na Pesquisa Mensal do Emprego (PME), do IBGE. 

Com o enfraquecimento da demanda doméstica, o Itaú aposta também em uma desaceleração da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve subir 7,0% neste ano, depois de ter avançado 10,7% em 2015. "Acreditamos que a inflação tenha iniciado uma longa trajetória de queda. A menor pressão de preços administrados terá contribuição relevante para a redução do IPCA este ano. O impacto da retração da economia na inflação, em particular de serviços, deve ficar mais claro ao longo deste ano", disse. 

"O principal risco para esse cenário é uma desvalorização mais intensa do real", acrescentou, em referência à pressão inflacionária do dólar em produtos importados. Apesar da preocupação com o câmbio, a instituição financeira acredita que o dólar não vai repetir a mesma valorização observada no ano passado e aposta que a moeda norte-americana terminará 2016 cotado a R$ 4,50 e a R$ 4,75 no fim de 2017. Com o câmbio equilibrado, a inflação deve desacelerar novamente em 2017, para 5%.

Juros. Diante disso, a Selic deverá terminar o ano em 12,75%, depois de o Banco Central (BC) realizar, a partir de agosto, três cortes de 0,50 ponto porcentual. "O BC vem sinalizando preocupação com a atividade global e doméstica. Acreditamos que a queda da inflação ao longo deste ano fará com que a autoridade monetária inicie um ciclo de redução das taxas de juros já na segunda metade de 2016", explica o banco. Mais uma vez o Itaú lembra que o risco para esse cenário reside numa depreciação mais intensa da taxa de câmbio. A Selic está hoje em 14,25%.

Para o banco, as contas públicas continuam sendo "o núcleo do problema no Brasil", depois de o déficit primário ter encerrado 2015 em 1,9% do PIB (0,9%, excluindo despesas em atraso), ante um déficit de 0,6% do PIB em 2014. Com isso, o Itaú revisou também a sua projeção para o resultado primário de 2016, de um déficit de 1,4% para 1,5% do PIB. A previsão para 2017 foi mantida em déficit de 2%.

"A situação fiscal segue se agravando. A eventual estabilização da atividade e a resultante melhora da arrecadação não bastam para melhorar o superávit primário, pois existe uma tendência estrutural dos gastos obrigatórios crescerem mais que o PIB. Sem reformas que reduzam esses gastos, a dívida pública bruta deve seguir em tendência de alta", afirma o banco. 

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