Daniel Teixeira/Estadão - 30/7/2020
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Itaú Unibanco amplia atuação na Flórida e busca R$ 40 bilhões de brasileiros ricos

Banco transferiu sua filial de Nova York para Miami, cidade que passa a ser seu eixo central nos Estados Unidos; instituição também mira clientes chilenos e argentinos

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 08h18

O Itaú Unibanco está reforçando sua operação na Flórida, com Miami passando a ser o seu eixo central nos Estados Unidos. A unidade é decisiva nos planos do maior banco da América Latina de atrair mais R$ 40 bilhões de brasileiros endinheirados, que buscam opções mais rentáveis no exterior em meio aos juros básicos no menor nível histórico no Brasil.

Nesse sentido, o Itaú solicitou no início do ano passado uma nova licença de banco na Flórida e, em contrapartida, transferiu a filial de Nova York para lá, no intuito de ter uma atuação mais parruda e eficiente. Ao longo de 2020, mesmo com o home office obrigatório por causa da pandemia, os executivos expatriados se debruçaram na melhora do portfólio de produtos, e ainda no reforço da equipe - incluindo nomes locais - e de sistemas.

Agora, o banco quer entrar em 2021 com estrutura completa para engordar seus ativos sob gestão no exterior na esteira da migração crescente de recursos de brasileiros e latinos residentes para lá, e fugindo do frio e dos impostos mais altos em Nova York. "Miami passa a ser nosso hub nos EUA, com foco na América Latina e, em especial, o Brasil", diz o CEO do Itaú USA e responsável pelas operações internacionais do Itaú Private Bank, Fernando Beyruti, em entrevista exclusiva ao Broadcast.

Os R$ 40 bilhões de brasileiros representam boa parte da cifra que o Itaú Private Internacional busca para ampliar seus ativos sob gestão, em cerca de US$ 10 bilhões até 2023, para a marca inédita de US$ 35 bilhões. Hoje, o banco tem US$ 26 bilhões.

O reforço em Miami se soma ao braço em Zurique, na Suíça, sob o comando de Gustavo Tavares, e o "novo" banco em Portugal, com o diretor Luiz Estrada à frente.

Nessa corrida, o maior banco da América Latina mira além dos brasileiros. No alvo, estão ainda chilenos e argentinos, diz a diretora comercial do Itaú Private Bank, Daniela Fortuna. Em paralelo, também olha para a oportunidade de captar "um ou outro" cliente americano, embora em menor escala, já que por lá, ainda que seja grande, tem o desafio de ser um banco estrangeiro.

No meio do caminho, porém, o Itaú terá de lidar com concorrentes já conhecidos na disputa pelos ativos de brasileiros e latinos. O Bradesco acaba de concluir a compra do BAC, banco local na Flórida. O Banco do Brasil cogita desistir da venda da sua filial por lá, o BB Americas, após não obter uma oferta que valesse a pena, conforme antecipou o Estadão/Broadcast.

Beyruti vê o aumento da competição com brasileiros como natural e diz que o Itaú tem a seu favor o fato de ter chegado antes. Conta que tem, inclusive, recebido executivos de concorrentes, interessados em compreender melhor o processo regulatório dos EUA, dentre outras peculiaridades de operar em território americano.

Até mesmo porque, em termos de concorrência, o Itaú já disputa clientes com fortalezas americanas como Goldman Sachs e JPMorgan, o maior banco dos EUA, além de estrangeiros de peso, como o suíço Credit Suisse. "Não vamos ser o melhor banco para americanos, mas, para brasileiros, sim", garante Daniela.

Sobre oportunidades de compras de ativos no exterior, como fez o concorrente Bradesco, Beyruti diz que o Itaú segue atento. Por ora, não há, contudo, nenhum ativo que salte os olhos do banco, com uma história forte de aquisições.

Ao contrário, o conglomerado das famílias Setubal, Moreira Salles e Villela tem priorizado o crescimento orgânico nos EUA. Para isso, repaginou sua plataforma de produtos, que é totalmente aberta e inclui opções de investimentos, como fundos e ações, crédito e serviços bancários para clientes com, ao menos, US$ 1 milhão em mãos. No braço corporativo, a ideia é servir empresas brasileiras com negócios nos EUA.

 A revisão do portfólio de produtos, conta Beyruti, não foi tarefa fácil. "No Brasil, bato na porta dos gestores e as portas se abrem. Aqui, temos o desafio de ser um banco brasileiro em um mundo internacional", lembra.

 Apesar disso, o Itaú conseguiu se aliar a gestores de renome, atuando como representante dos clientes , seja para hedge funds ou de private equity, que compra participações em empresas. Ao servir de ponte para tais portfólios, o banco tem um chamariz para a captação de recursos, principalmente, frente aos concorrentes, com fatia menor de alocação para brasileiros.

 Tem dado certo e faz parte de um trabalho de aculturamento dos clientes afortunados, que, diante dos juros baixos, têm de diversificar seus investimentos. Em meio à turbulência gerada pela pandemia, captou mais de US$ 100 milhões para aportar em um fundo de private equity premium.

 Para 2021, no âmbito da estratégia de promover uma oferta completa aos brasileiros e latinos residentes nos EUA, o banco quer estrear em uma nova frente, estimulando o mercado secundário, comum por lá. "A ideia é vender a cota de fundos de um cliente para o outro", explica a diretora comercial do Itaú.

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