Itaú Unibanco não precisará de plano de demissão, diz Setubal

De acordo com o executivo, o próprio turn over deverá ser suficiente para fazer ajustes no quadro de pessoal

Ana Paula Ribeiro, da Agência Estado

25 de fevereiro de 2009 | 16h33

O diretor-presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, acredita que não será necessário promover um plano de demissões em massa para concluir a incorporação entre os dois bancos. De acordo com o executivo, o próprio "turn over" deverá ser suficiente para fazer os ajustes no quadro de pessoal. "Acreditamos que é possível ao longo do tempo fazer ajustes. Não estamos prevendo nenhum grande programa de demissões", disse. Veja Também:As medidas do empregoDe olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise   A cada ano, cerca de 10 mil funcionários deixa por vontade própria o Itaú e o Unibanco. O executivo conta com essa movimentação para evitar um grande número de demissões. Setubal lembrou ainda que esse processo de integração durará cerca de dois ou três anos. Enquanto a rede de varejo deve ser preservada, e possivelmente ampliada, os ajustes tiveram início na área de atacado, em que a estrutura será única a partir de abril. Já foram demitidos cerca de 100 pessoas dessa área e da corretora. Setubal explicou que em cada banco havia um gerente para contas específicas e, com a unificação da área de atacado, essas gerências serão unificadas.    Ele disse que não é desejo da instituição comprar a parcela do Citi na Redecard. "Eventualmente podemos comprar uma parcela para vender depois", afirmou. De acordo com o executivo, o ideal seria ter um ou dois grandes bancos como sócios, mas que não tenham participação em empresa concorrente.  Depois de vários rumores sobre a venda da fatia do Citibank na Redecard, na semana passada o Citi confirmou a intenção de "potencialmente realizar uma oferta pública secundária de ações ordinárias de emissão" da empresa de meios eletrônicos de pagamento. O banco, no entanto, não informou a quantidade de ações ordinárias que poderá ser eventualmente alienada.  México Setubal afirmou que, caso alguma instituição no México seja colocada à venda, o banco irá analisar a oportunidade. "Se alguma instituição significativa for ser vendida, vamos analisar se é possível investir nela", disse. O executivo reafirmou, no entanto, que o foco será a integração entre Itaú e Unibanco. Nos últimos dias, surgiram rumores de que o Itaú Unibanco seria um dos interessado na instituição financeira mexicana Grupo Financeiro Banamex. Reportagem publicada no Wall Street Journal, citando fontes, disse que a venda do Banamex poderia atrair o interesse de bancos latino-americanos, norte-americanos e europeus, entre eles o Itaú e o britânico HSBC. Na mesma matéria, o porta-voz do Citigroup Jon Diat disse que o grupo "não tem intenção de vender o Banamex", e que a marca faz parte das operações consideradas pelo grupo como fundamentais para o futuro. Estima-se que o Banamex, que respondeu por cerca de metade do lucro total de US$ 3,6 bilhões obtido pelo Citigroup em 2007, poderia ser vendido por pelo menos US$ 9 bilhões, segundo o Journal. O banco mexicano foi fundado em 1884 e comprado pelo Citi em 2001, por US$ 12,5 bilhões. Hoje, tem cerca de 2.000 agências espalhadas pelo México e só perde para o BBVA Bancomer em ativos no país.  Financeiras As financeiras do Itaú, a Taií, e do Unibanco, a Finninvest, serão incorporadas no processo de integração entre os dois bancos e a marca que deverá prevalecer é a Fininvest. "É óbvio que não pode continuar as duas. Devemos juntá-las em uma única operação e entendemos que a marca Fininvest é a mais forte", disse o diretor-presidente, Roberto Setubal. O executivo não comentou, no entanto, quantos funcionários das financeiras devem ser desligados, lembrando que a desaceleração do crédito já leva a ajustes nessas operações. Além de lojas de rua, a Taií possui acordos com o Grupo Pão de Açúcar, Lojas Americanas e Marisa e a Fininvest com o Magazine Luiza e Ponto Frio. Sobre as operações com pessoa física, Setubal acredita que em algum momento do ano a inadimplência deverá bater recorde histórico. "A base do Banco Central é muito recente, de 2001. Acho que vamos passar o recorde com certa folga", disse.  Texto atualizado às 17h10

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.