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Itaú Unibanco prevê aumento dos calotes em 2016

Piora na inadimplência é esperada devido ao cenário de recessão econômica e aumento do desemprego

Aline Bronzati,Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2016 | 13h47

A inadimplência, considerando atrasos acima de 90 dias, do Itaú Unibanco deve continuar subindo nos próximos trimestres, de acordo com Roberto Setubal, presidente executivo do banco. "A inadimplência está muito ligada à atividade econômica, ao emprego. Caso a economia se recupere, esperamos atenuação dos níveis de inadimplência, mas os economistas têm expectativas de crescimento negativas para este ano. Acreditamos que a inadimplência vai subir um pouco ainda este ano. Difícil falar uma medida correta", avaliou o executivo, em entrevista com a imprensa.

O índice de inadimplência do Itaú Unibanco, considerando atrasos acima de 90 dias, piorou 0,2 ponto porcentual ao final de dezembro ante setembro, para 3,5%. Em um ano, quando o indicador estava em 3,1%, o aumento nos calotes chegou a 0,4 p.p..

A piora da inadimplência foi impulsionada pelas pessoas físicas, cujos calotes, levando em conta atrasos de mais de 90 dias, avançaram de 5,1% em setembro para 5,4% em dezembro. Em um ano, estavam em 4,7%. Seguindo na contramão, os calotes do segmento pessoa jurídica recuaram 0,1 p.p. no quarto trimestre ante o terceiro, para 1,9%. Em 12 meses, foi vista alta de 0,1 p.p. 

Renegociação. De acordo com Setubal, o aumento da carteira de créditos renegociados é natural no contexto atual. "A recuperação de créditos renegociados piora em meio ao cenário macroeconômico, principalmente, por conta da inadimplência há sempre o esforço de tentar reacomodar os pagamentos dos empréstimos às realidades novas que vão se impondo", destacou ele, em coletiva de imprensa.

De acordo com o executivo, os clientes, à medida que vendem menos, têm mais dificuldade de manter seus compromissos e há procura para reacomodar empréstimo a um novo perfil de fluxo de caixa. "Isso leva naturalmente à ampliação de renegociação de crédito que vinha caindo e passou a subir", acrescentou Setubal.

Ele afirmou ainda que o Itaú Unibanco está fazendo uma renegociação e crédito "bastante saudável", o que pode ser comprovado nos índices de atraso da carteira que estão abaixo dos níveis históricos.

Sobre a demanda por crédito, Setubal lembrou que a procura está associada ao nível de atividade econômica. Como destaques, na pessoa jurídica, ele citou crédito à exportação em meio ao aumento das exportações e, na pessoa física, os segmentos imobiliário e consignado.

"Todo mundo vendeu um pouco menos. O banco é reflexo da atividade econômica e isso se reflete naturalmente em uma expansão menor de crédito. Os grandes bancos têm presença bem distribuída. Com menor expansão do crédito, os bancos conseguem fortalecer seus níveis de capital. Esse resultado vem se somar à base de capital do banco", destacou Setubal.

Corpbanca. O Itaú Unibanco irá assumir a operação do Corpbanca no primeiro trimestre deste ano, destacou Setubal. Esse fato, segundo ele, irá ampliar expressivamente a posição do banco na América Latina.

"Nosso acordo já previa uma capitalização de US$ 550 milhões. Uma vez assumindo o banco faremos concomitantemente essa capitalização do banco, que já tínhamos anunciado", afirmou.

Segundo Setubal, essa capitalização permitirá que o Corpbanca se fortaleça e possa se expandir tanto no Chile quanto na Colômbia, que são os dois países em que a instituição já atua. A intenção, explicou, é aumentar a atuação do banco pela América Latina.

Em junho último, a fusão entre o Banco Itaú Chile (BIC) e o CorpBanca foi aprovada pelas assembleias de acionistas de ambas as instituições, após a demora na concretização da operação. Além de processos de minoritários questionando a operação, o Itaú ainda teve de oferecer benefícios adicionais para os acionistas do CorpBanca para que conseguisse avançar na conclusão da fusão em meio às discussões por conta de diferenças na avaliação de ativos.

A entidade resultante da incorporação será denominada Itaú CorpBanca e terá US$ 48 bilhões em ativos, uma carteira de crédito total de US$ 33 bilhões e aproximadamente US$ 28 bilhões em depósitos. Pelo critério de volume de empréstimos, será o quarto maior banco privado no Chile e o quinto maior privado na Colômbia, com uma rede de 226 agências e 172, respectivamente.

O Itaú, que desembarcou no Chile em 2007 após a aquisição do BankBoston um ano antes, terá participação de 33,58% no capital social do banco resultante da fusão.

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