Itaú vê crédito forte também em 2009, apesar de juro

O ciclo de aperto monetário iniciadoem abril pelo Banco Central para conter a inflação não serásuficiente para esfriar o ritmo das operações de crédito noBrasil, na avaliação do Itaú, que divulgou nesta terça-feira osresultados do segundo trimestre. "O cenário para tomada de empréstimos ainda é muitopositivo. O nível de endividamento das pessoas físicas ejurídicas no Brasil ainda é baixo", afirmou o diretor-executivode controladoria do Itaú, Sílvio de Carvalho. O segundo maior banco privado do país fechou o trimestrecom lucro líquido recorrente de 2,079 bilhões de reais, aumentode 5,05 por cento em relação ao mesmo período do ano passado--impulsionado por um salto de 41,3 por cento nas operações definanciamento, que alcançaram 148,073 bilhões de reais. Somente a carteira de varejo, liderada por uma disparada de61,7 por cento nos financiamentos para compra de veículos,chegou a 62,276 bilhões de reais, com incremento de 38,3 porcento. No segmento corporativo, o resultado foi ainda mais forte,com salto de 47,8 por cento, para 69,308 bilhões de reais,puxado sobretudo pelo avanço de 66,2 por cento das operaçõescom pequenas e médias empresas. "Estamos esperando uma repetição dos resultados com essascompanhias no segundo semestre do ano", acrescentou oexecutivo. Carvalho explicou que as grandes corporações, grupo que tema maior fatia individual na carteira, também tiveramparticipação importante na expansão. Devido à turbulência domercado de capitais, essas companhias passaram a buscarrecursos para investimentos nos bancos domésticos. Com isso, o Itaú se mostra confiante de que as operações definanciamento vão fechar o ano mais próximas do teto daprevisão de crescimento, que vai de 25 a 30 por cento. ÂNIMO TAMBÉM EM 2009 E, mesmo esperando uma desaceleração do crescimento daeconomia brasileira, o banco já prevê que sua carteira decrédito terá outro incremento de 25 por cento em 2009. "O custo de captação (de recursos) cresceu, especialmentenos segmentos mais especializados. E a subida na taxa de jurospode reprimir um pouco a demanda e a oferta, mas o efeito serápequeno", disse. Para analistas, diante do expressivo crescimento dacarteira de crédito o banco poderá revisar para cima o guidancede crescimento desse segmento em 2008. "O crescimento do Itaú veio acima da evolução apresentadapelo sistema, que acumulou alta de 32,3 por cento em 12 meses",comentou em relatório a analista de bancos da Ativa Corretora,Mônica Araújo. Mesmo com esse avanço, o banco conseguiu reduzir o índicede inadimplência de 5,1 para 4,3 por cento. E, segundoCarvalho, o panorama nesse quesito também é benigno. "Não hásinal de aumento da inadimplência. Nossos indicadores apontamque a inadimplência permanece constante." Em oposição aos exuberantes números do crédito, as receitasde prestação de serviços e as rendas de tarifas bancáriasrecuaram 12,4 por cento, também na comparação trimestral, para2,2 bilhões de reais. "Tivemos queda na receita por causa de nova regra", afirmouCarvalho, referindo-se às normas do Banco Central que entraramem vigor em 30 de abril extinguindo a cobrança de algumastarifas. O banco também viu o índice de reantabilidade sobre opatrimônio cair 1,9 por cento em relação ao segundo trimestrede 2007, para 27,9 por cento. RESULTADOS O Itaú registrou lucro líquido total de 2,041 bilhões dereais no segundo trimestre, levemente abaixo do lucro de 2,115bilhões de reais registrado no mesmo período do ano passado. Provisões para perdas com os planos econômicos na década de80, o reconhecimento de prejuízo na venda de ações do bancoBCP, ganho com a alienação de ações da Visa, da BM&F Bovespa eda Serasa, amortização de ágios pagos na aquisição deinvestimentos e a venda do prédio do BankBoston foram itensextraordinários que entraram nos resultados. O lucro líquido recorrente no período foi de 2,079 bilhõesde reais, ante 1,919 bilhão de reais no segundo trimestre de2007, em linha com as estimativas de analistas consultados pelaReuters. O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado doItaú no trimestre ficou em 27,4 por cento, abaixo dos 32,8 porcento do mesmo período do ano passado. No primeiro semestre, o lucro líquido total somou 4,084bilhões de reais, ante 4,016 bilhões de reais nos primeirosseis meses de 2007. (Colaborou Renato Andrade)

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