Eduardo Munoz/Reuters
Eduardo Munoz/Reuters

Itaú venderá 5% de participação na XP em oferta de ações na Nasdaq

Com a operação, banco vai embolsar mais do que R$ 5 bilhões pela fatia; apesar da venda, Itaú ainda continuará acionista da corretora, com participação de 41%

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2020 | 19h33

O Itaú Unibanco venderá 5% de suas ações na XP Investimentos, dando início ao processo de saída da maior plataforma de investimento do País, três anos após ter feito a compra de fatia da companhia e em meio a um fim de casamento conturbado. Com a oferta, o maior banco da América Latina embolsará mais do que R$ 5 bilhões pela fatia, quase US$ 1 bilhão. A XP decidiu aproveitar e lançará novas ações na operação, por meio da qual injetará cerca de US$ 340 milhões em seu caixa, mais de R$ 1,5 bilhão. A oferta será na bolsa norte-americana Nasdaq, onde a XP é listada há praticamente um ano.

Do lado do Itaú, a oferta inicialmente envolverá cerca de 20 milhões de ações, que pode subir para 23,5 milhões de papéis caso seja identificada demanda no mercado. Já a XP colocará na oferta mais 7,1 milhões de ações, que poderá ir a 8,2 milhões. 

Mas o Itaú seguirá acionista, ao menos por um tempo após a oferta. No entanto, essa será uma situação passageira. O conselho do Itaú aprovou na semana passada que o restante da sua participação na XP, correspondente a 41,05% da companhia, será segregada para uma nova empresa, que foi batizada de NewCo. A ideia era que a companhia fosse ter suas ações listadas na B3 e, assim, distribuídas aos acionistas do banco, mas a XP já anunciou que está em estudo fazer a fusão da NewCo com a XP, de forma a facilitar a vida do investidor, que passaria a ter participação direta na companhia.

De qualquer forma, cada acionista do maior banco da América Latina definirá se seguirá com a XP, ao passo que o Itaú deixará de ser um sócio. A Itaúsa, por exemplo, já disse que se manterá acionista da maior plataforma de investimento do País. 

A XP vale na Nasdaq mais do que R$ 100 bilhões, ou cerca de US$ 22,6 bilhões. Quando o Itaú fez seu investimento, avaliou a companhia em R$ 12 bilhões. 

A despedida do Itaú do capital da XP ocorre pouco tempo após um embate público entre as empresas, depois de uma campanha publicitária lançada em horário nobre na TV aberta. O Itaú criticou o modelo de remuneração dos agentes autônomos, profissionais que ajudaram a XP a crescer. A briga ficou acirrada, pois a XP não mediu esforços para responder seu sócio, de forma pública. A XP usa como um "mantra" que seu principal concorrente são os grandes bancos, onde estão concentrados grande parte dos investimentos dos brasileiros.

Essa será a terceira oferta de ações da XP em menos de um ano. O IPO na Nasdaq foi em dezembro do ano passado e neste ano, a companhia fez uma oferta que também marcou a saída de um antigo sócio, o fundo de private equity General Atlantic. São coordenadores da oferta a própria XP, ao lado do Itaú BBA, Morgan Stanley e JP Morgan

Contra-ataque

Na última sexta-feira, o Itaú anunciou que colocaria as pessoas físicas no foco do negócio para buscar mais crescimento de sua plataforma de investimento e para blindar seus clientes investidores da concorrência. A postura mais agressiva já era esperada com o anúncio de seu desinvestimento da XP, feito mês passado. Agora terá um novo modelo de assessoria de investimento, no qual pretende ser mais próximo do varejo por meio de especialistas, com o claro objetivo de que seus clientes direcionem seus recursos que estão investidos hoje em outras plataformas para dentro do banco.

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