<i>The Economist</i> alerta para risco de alta exagerada dos juros

A edição da revista londrina The Economist, que chega às bancas nesta sexta-feira, traz um artigo em que questiona se a alta da taxa de juros no Brasil não é exagerada. Sob o título "Riscos, novos e antigos", a reportagem começa elogiando a política econômica ortodoxa do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.Segundo a Economist, foi essa política que, além de ter deixado a economia mais resistente, "pavimentou o caminho para a recuperação econômica". Mas, em seguida, o artigo sugere que o país pode estar exagerando na dose. "Os amigos (do Banco Central) não estão preocupados com a direção que ele tomou, mas com o fato de que ele pode ter se tornado exageradamente cauteloso."Segundo a revista, é claro que o crescimento econômico vai ser menor neste ano, embora não haja consenso sobre a magnitude da desaceleração. "As exportações devem cair, em parte porque as altas taxas de juros elevaram o valor do real." Segundo a Economist, as próximas ações do Banco Central são cruciais e rumores de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia demitir diretores mais inflexíveis só pioram a situação. "Isso força o banco a ser mais duro do que deseja no controle da inflação."No final, o artigo afirma que há um consenso de que o BC "deveria aceitar um pouco mais de inflação em 2005 - 5,5% ou 6% (em comparação com a meta de 5,1%)". "O presidente Lula não vai admitir, mas ele provavelmente espera que Meirelles esteja ouvindo (o argumento)", completa a revista. No dia 19 de janeiro, o Banco Central elevou a taxa de juros básica da economia, a Selic, em 0,5 ponto percentual, para 18,25% ao ano.

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