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‘JÁ ESCAPEI DUAS VEZES DA MORTE NESSA ESTRADA’

É um tormento trafegar pela BR-222, que corta os Estados do Ceará, Piauí, Maranhão e Pará. O pior trecho fica entre Pará e Maranhão, numa extensão de 900 km, onde predominam a sequência de buracos e a má sinalização da via. Além de estreita e com mão dupla, a estrada não passa por manutenção há alguns anos. As únicas medidas adotadas são as operações tapa-buraco, que tentam minimizar o risco de quem trafega pela rodovia.

CARLOS MENDES / ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2016 | 18h00

O trecho entre Dom Eliseu e Marabá foi considerado o pior do País, segundo a pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), em 2015. Apesar da condição precária, os motoristas da região não têm escolha. “Já escapei duas vezes da morte. Na primeira, o pneu de minha caminhonete estourou após bater num buraco. Capotei, mas nada sofri, só o susto. Na outra vez, um caminhão desviou do buraco e bateu na traseira do meu carro. Fraturei uma perna e quebrei a bacia”, conta Luizamar Freitas Cordeiro, de 51 anos.

Para os caminhoneiros, a situação da estrada pesa no bolso. Segundo Eliziário Oliveira, de 42 anos, a cada R$ 500 que ganha de frete, metade é gasta com pneus, pastilha de freio e amortecedores. No passado, a rodovia era estadual (PA-070), famosa pelos buracos e atoleiros. Há 30 anos, o governo federal assumiu o controle da estrada, que foi asfaltada e chegou a ser uma das melhores da região na década de 90. De lá para cá, a manutenção deixou de ser feita. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) apenas informou que há um estudo para recuperar os trechos considerados mais problemáticos, mas não disse quando isso ocorreria.

O Brasil tem hoje 1,3 milhão de km de estradas sem pavimentação. Só 12% da malha nacional (213 mil km) é asfaltada e cerca de 20 mil km é concedida à iniciativa privada. A última pesquisa da CNT mostrou que 51% das rodovias analisadas estavam em condição regular, ruim ou péssima.

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