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Já faltam áreas para feirões de automóveis nos fins de semana

Mercado em alta leva à disputa por local para eventos, hoje vistos como ação de marketing

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2007 | 00h00

Falta espaço para feirões de carros nos fins de semana. A ação, que já se tornou rotineira, ocupa as poucas áreas disponíveis na cidade para esse tipo de evento e há disputa por espaço. O Banco Itaú, que tem feito parcerias com lojistas para ter exclusividade nos financiamentos, reservou, por um ano, um terreno ao lado do Playcenter. No estacionamento do Center Norte/Lar Center há fila de espera. O Anhembi tem reservado todos os domingos do ano para a Feira Livre do Automóvel.Só neste fim de semana essas três áreas, todas com acesso pela Marginal do Tietê, na Zona Norte, têm à venda 13 mil veículos, entre novos e usados. Segundo os organizadores de feirões, é uma data cobiçada, pois em novembro há dois feriados prolongados e em dezembro ocorrem as festividades que dificultam eventos desse tipo.''''Temos verificado muita dificuldade para encontrar locais disponíveis há vários meses'''', constata Ayrton Fontes, da M. Santos, empresa especializada em feirões e organizadora do evento que ocorre ao lado do Playcenter, o Poupatempo dos Carros, que reúne revendas Fiat, Volks, GM e Ford.Antes usados para desovar encalhes, os feirões de fim de semana se transformaram em ações de marketing, num momento em que a venda de carros novos bate recordes. Até quinta-feira foram vendidos 192 mil veículos, 2% mais que no mesmo período de setembro. As montadoras apostam que será o melhor mês do ano, superando agosto, quando foram vendidos 235,2 mil veículos.No ano, foram comercializados até agora 1,93 milhão de veículos novos, número que supera o resultado de 2006 em 3,3 mil unidades e está próximo de passar 1997, até então o melhor da história, com vendas de 1,943 milhão de veículos.No Center Norte ocorre o feirão da Renault, com 2 mil carros. Na área ao lado do Playcenter há 5 mil modelos que serão financiados pelo Itaú, que promete juros e prazos iguais para novos e usados.No Anhembi, a tradicional feira de usados reúne amanhã cerca de 6 mil carros, a maioria de particulares, segundo a organizadora, a Matel. Na falta de espaço, a maioria das montadoras libera as concessionárias para anunciar feirões nas próprias lojas.DESVALORIZAÇÃOA venda de carros usados também está em alta, embora em índices menos generosos. O mercado do zero-quilômetro cresceu 27% até setembro, enquanto o de segunda mão contabiliza 5% ante igual período de 2006, com vendas de 5,17 milhões de unidades.Com oferta maior de novos, prazos longos de pagamento e juros mais baixos, os preços dos usados estão em queda. De janeiro a setembro, a desvalorização média foi de 2,6%, segundo cálculos da LCA Consultores, que usa como base o IPCA. Em 2004, a variação era 10% positiva, informa o economista Bráulio Lima Borges.No ano seguinte baixou para 5% e, em 2006, para 3,3%. ''''Desde 2000, nunca houve uma deflação tão forte assim'''', afirma Borges, para quem a depreciação deve continuar.Para Vítor Meizikas, da Molicar, agência especializada em varejo automotivo, o País está enterrando de vez o estigma de que carro é investimento. ''''O Brasil está se equiparando ao resto do mundo, onde automóvel é bem de consumo e é depreciado ao longo do tempo, como ocorre com a geladeira.''''George Assad Chahade, presidente da associação dos revendedores de carros usados de São Paulo (Assovesp), diz que os modelos mais caros são os mais desvalorizados, enquanto os chamados populares têm depreciação mais lenta.''''O mercado de carros usados é o mais justo que existe, pois ninguém impõe preços, só o mercado'''', diz Sérgio Reze, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave). No caso do novo, as lojas seguem tabela sugerida pela fábrica.Miguel Romero, dono da rede Rommer, com 15 lojas de usados em São Paulo, atesta que os negócios vão muito bem. Quando um modelo fica mais de 30 dias no estoque, ele manda para uma loja na Zona Leste, chamada de Ponta de Estoque. ''''Lá baixamos os preços em até 25%''''

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