Reuters - arquivo de novembro de 2000
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Morre o lendário gestor que liderou a General Electric por 20 anos

Jack Welch foi nomeado ‘executivo do século’ pela ‘Fortune’; sob seu comando, receita da multinacional aumentou quase cinco vezes

The New York Times

02 de março de 2020 | 12h02
Atualizado 02 de março de 2020 | 21h42

Jack Welch, que liderou a General Electric durante duas décadas de prosperidade e se tornou o executivo mais influente de sua geração, morreu no último domingo, em Nova York, aos 84 anos. A causa foi insuficiência renal, de acordo com sua esposa, Suzy Welch. 

Combativo e franco, Jack Welch se tornou o principal executivo da General Electric em 1981. Doutor em engenharia química, comandou a empresa em um período de grandes ganhos para muitas das multinacionais americanas e seus líderes, que foram favorecidos por impostos mais baixos e políticas pró-negócios adotadas pelo então presidente, Ronald Reagan.

Sob o comando de Welch, a receita da GE saltou quase cinco vezes, para US$ 130 bilhões, enquanto seu valor de mercado subiu de US$ 14 bilhões para mais de US$ 410 bilhões.

Era uma época em que executivos bem-sucedidos e bem pagos eram mais admirados do que criticados. Welch recebeu um pagamento de indenização recorde de US$ 417 milhões quando se aposentou, em 2001. A revista Fortune o nomeou o “executivo do século” e, em 2000, o Financial Times nomeou a GE a “Empresa Mais Respeitada do Mundo” pelo terceiro ano consecutivo.

O estrelato de Welch se estendeu para além do mundo dos negócios. Em um leilão em 2000 pelos direitos de sua autobiografia, a unidade de livros da Time Warner ganhou com uma oferta de US $ 7,1 milhões, um recorde na época.

Jack: Definitivo, escrito com John A. Byrne, foi publicado no ano seguinte e acabou vendendo mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo.

Os anos da Welch na GE combinaram ideias estratégicas com inovações gerenciais. Welch reconheceu cedo a ascensão da Ásia, então liderada pelo Japão, como uma potência industrial, e abandonou os negócios da GE que considerava vulneráveis, entrando em novos mercados.

Ele atacou a burocracia e fez cortes consideráveis na folha de pagamentos, criando uma cultura corporativa mais empreendedora, mais darwiniana. Liderou a globalização dos negócios da GE, expandindo as vendas e a fabricação no exterior. E tornou a GE muito mais dependente de finanças – à medida que o setor bancário e o investimento cresceram como parte da economia dos EUA –, o que acabou sendo um problema durante a crise financeira de 2008.

Ataques. Welch também foi atacado quando liderava a GE, especialmente por reduzir o quadro de funcionários. Mas a maioria das críticas surgiram nos últimos anos. O “executivo estrela”, focado em enriquecer os acionistas, é hoje tido também como um símbolo da ganância corporativa e da desigualdade econômica. O modelo de grupo diversificado que Welch construiu também está em desuso, uma ideia que ganha força quando se observa o declínio precipitado da GE nos últimos anos.

Colunista de negócios do New York Times, James B. Stewart escreveu em 2017: “Dificilmente alguém consideraria, hoje, Welch um exemplo de gestor e o modelo de conglomerado que ele defendeu na GE – que, com disciplina rigorosa, você pode gerenciar com êxito qualquer negócio, desde que se tenha a maior ou a segunda maior participação de mercado – foi completamente desacreditado, pelo menos nos EUA”.

 Parte das críticas a Welch decorrem do fato de que os preceitos de gestão que ele personificou ficaram velhos nas últimas duas décadas. “Mas ele era a pessoa certa para a época”, disse Byrne, coautor das memórias do executivo. “Ele era um turbilhão e adorava os negócios – a competição, a vitória e o teatro. Os negócios eram tudo para ele.”

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