Jacques Chirac apóia proposta de Lula de combate à fome

O presidente da França e do G-8 de Evian, Jacques Chirac, afirmou hoje que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "impressionou o auditório pela clareza de suas propostas", tendo definido como "muito fortes e convincentes" as duas intervenções feitas durante a reunião de trabalho e o almoço do chamado "diálogo ampliado" no Hotel Royal, em Evian. Desse encontro participaram os oito países industrializados e os 12 emergentes convidados. Respondendo à pergunta se considerava realistas as propostas apresentadas pelo presidente Lula pedindo ao G-8 para abandonar o discurso e adotar medidas concretas contra os subsídios agrícolas e para a criação de um fundo contra a fome, o presidente francês manifestou-se "totalmente favorável". Essa é a primeira vez que um presidente no exercício do G-8 manifesta abertamente seu apoio a uma proposta que pode gerar uma forte polêmica. Segundo a proposta, esse fundo poderá ser financiado, em parte, por uma taxa sobre a venda de armas, tendo o presidente do G-8 afirmado que o presidente Lula está no "bom caminho". Quanto aos subsídios, Chirac explicou que a proposta de Lula não se limita aos subsídios diretos, mas também dos subsídios através da ajuda alimentar, causa de desvios altamente contestáveis, tendo acrescentado: "Rendo homenagem às propostas do presidente Lula", disse Chirac, que se alongou ao comentar as propostas do presidente brasileiro, chegando a indagar: "Por que não a criação de um fundo?". O problema, segundo Chirac, é alimentá-lo e reparti-lo. Chirac lembra que uma das propostas nasceu da constatação de que a globalização tem inconvenientes, mas também vantagens, permitindo desenvolver o comércio e a riqueza mundiais. O chave da questão, a seu ver, "é encontrar a boa mecânica". A partir daí, uma vez gerada essa riqueza é preciso encontrar o meio de recuperar uma parte dela para esse fim disse Chirac. Ele citou a taxa Tobin, cheia de boas intenções, mas que não era aplicável, a tal ponto que a idéia foi abandonada por seu próprio criador. O assunto acabou ficando contaminado pela taxa Tobin. As propostas de Lula serão examinadas pelo G8, segundo informou o próprio Chirac, buscando a melhor forma de recuperar parte da riqueza, o que permitirá agir contra a fome. O presidente do G-8 concluiu suas declarações sobre as propostas do presidente brasileiro com o comentário: "Afinal, o mercado de armas individuais alimenta neste momento a preocupação do mundo".O presidente do G-8 falou também da abertura do G-8 para outros países, dizendo que a Grã- Bretanha, em 2005 já prometeu organizar uma reunião com essas características, tendo a intuição que os EUA poderão fazer o mesmo em 2004, o que deverá tratar no seu encontro de hoje com o presidente Bush. A seu ver, isso dará maior legitimidade ao G-8. Quanto a suas relações com o presidente Bush, restringiu sua resposta dizendo: "Não se deve acreditar em tudo o que se diz".

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