Jonne Roriz/AE - 11/1/2008
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Jacto se renova para crescer 43% até 2023

Após ver sua receita líquida crescer 20% no último ano, para R$ 1,469 bilhão, a meta é turbinar o resultado em 43% até 2023 e chegar a R$ 2,1 bilhões

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2019 | 05h00

A fabricante de implementos agrícolas Jacto, de Pompeia (SP), tem planos arrojados para fazer frente às concorrentes multinacionais. “Ao completar 70 anos, em 2018, refletimos sobre os desafios que deveríamos nos propor para chegar aos 100 anos, e surgiu a ideia de dobrar o patrimônio”, diz o presidente da companhia, Fernando Gonçalves. “Significa criar linhas de produtos, entrar em novos mercados e avançar no exterior.” Após ver sua receita líquida crescer 20% no último ano, para R$ 1,469 bilhão, a meta é turbinar o resultado em 43% até 2023 e chegar a R$ 2,1 bilhões. “Somos uma das cinco marcas de máquinas agrícolas do mercado e as outras quatro são multinacionais. É um desafio”, diz ele. 

Aqui... Para 2019, o otimismo ainda é controlado, em razão de perdas em lavouras de soja, da incerteza sobre os efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China e do provável esgotamento dos recursos do Moderfrota antes do fim da safra, em junho. A previsão para o ano, por ora, é de receita apenas 5% maior. “O resultado de 2018 foi muito bom, então repetir o desempenho e crescer um pouco seria bom também”, diz Gonçalves. A empresa desenvolveu adubadoras para grãos e produtos com tecnologias de agricultura de precisão, com foco também em pequenos produtores.

...E acolá. A expansão no mercado internacional é outro objetivo da Jacto. A receita com as vendas externas representa hoje 25% do faturamento total – cerca de R$ 360 milhões – e o plano é elevar o porcentual para 30% a 35% em três anos. Isso significaria exportar 50% mais. “Estamos trabalhando forte para aumentar nossa presença na África e no Leste Europeu, com produtos específicos para essas regiões”, afirma.

Tentáculos. O novo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), vai buscar reforço às causas do setor junto a parlamentares da linha conservadora que não têm ligação direta com o agronegócio. Um dos nomes alinhados é o do deputado eleito Kim Kataguiri (DEM-SP), um dos mais jovens da Casa, com 22 anos, e sem conexão com temas do meio rural.

Do campo à cidade. Ruralistas avaliam que trazer Kataguiri para o grupo ajudaria a levar a discussão de assuntos relativos à agropecuária para o público urbano. O assunto foi debatido durante uma reunião do Instituto Pensar Agro (IPA), em Brasília, na última semana. Kataguiri é coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL) e porta-voz de uma parcela de jovens liberais. 

Pra quando? O setor leiteiro aguarda, apreensivo, decisão que deve ser tomada pelo Ministério da Economia até o dia 6 de fevereiro: a prorrogação de tarifas antidumping contra a importação de lácteos da União Europeia e da Nova Zelândia. Rodrigo Alvim, presidente da Comissão de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), conta que foi protocolado pedido de renovação no ministério em fevereiro passado, ainda no governo de Michel Temer. “Até agora, não tivemos nenhuma definição e o prazo está acabando”, diz.

Virão com tudo. A maior preocupação, explica Alvim, não é a Nova Zelândia, cuja taxa antidumping é de 3,9%, mas a União Europeia. “Os europeus têm 280 mil toneladas de leite em pó estocadas, sem ter para quem vender”, relata Alvim. Caso a tarifa antidumping, de 14,8% para o bloco, não seja mantida, o mercado brasileiro corre o risco de ser “inundado” pelo produto, subsidiado na origem, derrubando os preços internos, afirma. Em reunião recente com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, Alvim alertou-a sobre a urgência do tema. 

Laranja azeda. Na esteira da queda do consumo de suco de laranja, a citricultura demitiu mais gente no segundo semestre de 2018 do que contratou. A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) estima 18.787 demissões entre julho e dezembro, contra 16.880 admissões. Os dados foram compilados com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). 

Surpreende. A pecuária será o motor do crescimento do campo em 2019, na avaliação do coordenador do núcleo econômico da CNA, Renato Conchon. A entidade espera aumento de 4,4% no Valor Bruto da Produção da atividade e de apenas 0,78% no da agricultura. O mercado interno será o principal responsável pelo movimento. “Para 2019, com a melhoria da renda e do emprego no Brasil, esperamos que o consumo da carne bovina aumente”, diz Conchon. 

Agora vai. O Movimento Pró-Logística prevê aumento de 3 milhões de toneladas nas exportações de soja e milho pelo Arco Norte neste ano. Além dos investimentos já feitos, outros virão, principalmente em Miritituba (PA), enfatiza o diretor executivo do movimento, Edeon Vaz Ferreira. “Com os problemas da economia brasileira, muitas empresas seguraram projetos. Com a nova onda de crescimento, eles devem ser retomados.” / COLABORARAM LETICIA PAKULSKI,  NAYARA FIGUEIREDO e TÂNIA RABELLO

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