FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Jaime Lerner critica 'burocracia atrasada' de Brasília

Segundo o ex-prefeito de Curitiba, hoje há uma espécie de conspiração e uma síndrome de desconfiança que leva a uma paralisia total do País

Elizabeth Lopes , Victor Aguiar, O Estado de S. Paulo

02 de março de 2016 | 14h07

SÃO PAULO - No debate realizado na manhã desta quarta-feira, 2, no Fórum Estadão, o arquiteto, urbanista e ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner disse que o Brasil poderia ser o grande exemplo em mobilidade urbana, mas que as coisas não acontecem. "Depois de passar anos no setor público e lidando com o governo federal, eu não perdi tempo em Brasília, não falo de governo nenhum, mas de uma burocracia atrasada", reiterou Lerner.

Segundo o ex-prefeito, hoje há uma espécie de conspiração e uma síndrome de desconfiança que leva a uma paralisia total. "Deixei a política há 14 anos e não pertenço a nenhum partido, é angustiante ver que as soluções estão próximas e tão distantes." Lerner também disse que o Programa Minha Casa Minha Vida, uma das vitrines da gestão de Dilma Rousseff, "não pode ser feito no fim do mundo", mas em áreas mais próximas das necessidades da população.

Planejamento. O coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, disse que a sociedade brasileira não pode ser convencida de que é possível tocar "100 projetos ao mesmo tempo". E defendeu priorização de projetos, com alguns sendo transferidos para a iniciativa privada, sobretudo os de maior demanda. Ele voltou a falar da necessidade de um bom arcabouço jurídico, que não dependa de situações político-eleitorais. "Não se pode só inaugurar maquetes", ironizou. "Não é possível convencer investidores de que eles terão retorno só com caridade, é preciso restabelecer a confiança".

Já Felipe Ezquerra, vice-presidente da Arteris, também disse que o investidor precisa de previsibilidade. E disse que isso inclui marco regulatório e prazos. "E o principal é o planejamento", frisou.

Para ele, o principal desafio para o setor de infraestrutura no Brasil é a questão do financiamento. "Obras de infraestrutura implicam num financiamento de longo prazo. Historicamente, esse papel tem cabido quase que exclusivamente ao BNDES, mas essa situação tem começado a mudar por causa da situação do País", disse Ezquerra. "Acreditamos que o BNDES continuará sendo um ator fundamental, mas temos que trabalhar com outras fontes de financiamento e buscar fórmulas para diversificar".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.