Gabriela Biló/ Estadão - 18/11/2020
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Bolsonaro faz marketing político eleitoral com a queda dos preços dos combustíveis nos postos

Com a caneta de presidente da República, Bolsonaro editou decreto determinando que os postos de combustíveis exibam cartazes com os valores antigos dos preços dos combustíveis

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2022 | 04h00

Um novo “round” da disputa eleitoral travada em torno da queda do ICMS sobre combustíveis começou. Com a caneta de presidente da República, Bolsonaro editou decreto determinando que os postos de combustíveis exibam cartazes com os valores antigos dos preços para que os consumidores tenham a possibilidade de fazer um comparativo.

A oposição diz que é propaganda eleitoral. Gleisi Hoffmann, presidente do PT, reclamou nas redes sociais: “Bolsonaro obrigar postos de gasolina a informar queda no preço dos combustíveis após mudança no ICMS é inacreditável”. A reação não vai parar por aí.

Como já era esperado, o governo Bolsonaro faz seu marketing político eleitoral com a queda dos preços dos combustíveis nos postos. Após a entrada em vigor da lei aprovada pelo Congresso que mudou a forma de cobrança do ICMS sobre os combustíveis para reduzir o peso do tributo no preço final na bomba, os preços começaram a cair – e a população está sentindo. 

O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, chegou a parar esta semana em um posto de combustíveis da rede Ipiranga, em Brasília, para fazer propaganda do valor da gasolina cobrada no local, de R$ 5,99 o litro, conforme mostrou reportagem do Estadão. “Nós estamos conseguindo reduzir o preço do combustível”, alardeou em vídeo gravado. 

Filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro também faz campanha para criticar os adversários com as placas de preços nos postos de gasolina. 

Há poucas semanas, em 21 de junho, reportagens mostravam que o litro da gasolina tinha chegado a R$ 8,99, de acordo com informações da Agência Nacional do Petróleo.

A maioria dos Estados já reduziu o ICMS, e os governadores que cortaram o imposto agora buscam capitalizar também a queda dos preços. O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, que tenta a reeleição, foi o primeiro a puxar a fila.

Um acordo está sendo construído para que a queda do ICMS seja temporária, até o fim do ano – e que, depois, seja feita uma modulação para corte gradual ao longo do tempo. 

O posto Ipiranga, que serviu de referência ao ministro Paulo Guedes na eleição de 2018, agora serve como propaganda da queda dos combustíveis. Muito antes do decreto, apoiadores de Bolsonaro já conversavam com donos de postos para deixar as placas expostas.

A caneta do presidente e o poder das lideranças do Centrão no Congresso seguem tomando conta da agenda de medidas econômicas nas eleições. Como a economia do País chegará a 2023 é que parece pouco importar ao mundo político. 

* REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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