Ueslei Marcelino / Reuters
Ueslei Marcelino / Reuters

Bolsonaro brinca sobre trocar Guedes, mas depois diz que casamento é indissolúvel

Presidente e ministro se encontraram em cerimônia do novo marco regulatório do Inmetro

Lauriberto Pompeu e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2022 | 13h40

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta sexta-feira, 25, em tom de brincadeira, que demitiria o ministro da Economia, Paulo Guedes. A fala foi feita durante cerimônia do novo marco regulatório do Inmetro. Bolsonaro afirmou  que, se fosse necessário, tiraria Guedes da pasta para interferir no órgão. 

"É para mostrar que o presidente está atento. Se alguém distrair, ele vai lá e cobra. Se o sujeito não cumprir, ele troca o de cima, vai trocando", afirmou Guedes no evento. Ao que Bolsonaro respondeu: "Até chegar em você". 

O ministro da Economia ressaltou então que isso não chegou a ser cogitado porque a mudança no Inmetro foi feita sem precisar consultar o chefe da equipe econômica. "Antes de chegar em mim o secretário teve juízo e trocou o presidente do Inmetro", declarou Guedes.

Mais tarde, no mesmo evento, o presidente afastou qualquer possibilidade de saída de Guedes do cargo. "O meu casamento com Paulo Guedes é indissolúvel, não existe divórcio, mas fica difícil a gente, levantando esses problemas, não buscar a solução", apontou.

Em 2019, Bolsonaro trocou toda a diretoria do órgão e disse que "implodiu" o Inmetro. O motivo da demissão da antiga diretoria foi uma portaria que exigia a troca dos taxímetros para o modelo digital. 

"Não temos de atrapalhar a vida dos outros. É facilitar a vida de quem produz. Os novos taxímetros, faça diferente. Os novos tacógrafos, tudo bem. Agora, tirar do pessoal, mandar trocar, não. Vai ter de implodir, cortar a cabeça de todo mundo”, reclamou Bolsonaro na época.

As novas regras, atualizadas hoje em nova portaria, afastam a fiscalização do Inmetro em produtos de menos riscos. A ideia é que o órgão tenha menor poder e afete menos as atividades das empresas. Como justificativa para a alteração, o governo citou que as adaptações são necessárias para atender a lei de liberdade econômica

A fala do chefe do Poder Executivo é semelhante a outra declaração que ele fez, em abril de 2020, quando disse durante reunião ministerial que trocaria o ministro da Justiça para interferir na Polícia Federal. Na época, quem chefiava a pasta era Sergio Moro, que  saiu do cargo pouco tempo depois. Hoje o ex-juiz é presidenciável do Podemos e adota tom crítico a Bolsonaro.

“Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar fuder minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o Ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira”, disse o presidente em 2020.

PT, BNDES e preço da gasolina 

Durante a cerimônia desta sexta, Bolsonaro comentou que teve "problemas" para viajar quando era deputado federal, mas que "quebrou um galho com um policial federal". Sem dar detalhes, o presidente também disse que "haverá excelente boa notícia hoje à tarde pela industrialização do nosso País" e que a imprensa "vai ficar curiosa".

Em tom eleitoral, o chefe do Poder Executivo também criticou as gestões do PT no governo federal e lembrou financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a obras na Venezuela. 

Ainda tentando dar sinais positivos para seus eleitores, Bolsonaro falou brevemente sobre o preço da gasolina e ressaltou que não pode interferir na Petrobras, mas que tem cobrado soluções da estatal. "O presidente da Petrobras ganha mais de R$ 200 mil por mês, tem que trabalhar, apresentar solução", disse. 

Outro anúncio feito por Bolsonaro no evento foi a oficilização de um acordo entre a União e a cidade de São Paulo sobre o Campo de Marte. "Acertamos com Paulo Guedes uma pendenga que tem mais de 50 anos no Campo de Marte, será publicado nos próximos dias", declarou.

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