JF Diorio/AE
JF Diorio/AE

Jair Ribeiro e fundo Warburg Pincus tornam-se sócios do Banco Indusval

Grupo de investidores liderado pelo fundador do Banco Patrimônio e fundo de private equity americano vão investir, em conjunto, R$ 180 milhões para entrar no capital do banco que tem, entre os controladores, Manoel Felix Cintra Neto e Luiz Masagão

Melina Costa, O Estado de S.Paulo

23 Março 2011 | 00h00

O banco Indusval, o fundo americano Warburg Pincus e os empresários Jair Ribeiro e Alfredo de Goeye fecharam um acordo de sociedade. O fundo de private equity aportou R$ 150 milhões no banco, os empresários (junto com uma família sócia) investiram R$ 30 milhões e os atuais controladores do Indusval colocaram outros R$ 21 milhões em um aumento de capital.

Somando-se isso a uma oferta de ações que será feita aos minoritários da instituição, o banco poderá receber até R$ 280 milhões. A oferta deve acontecer em até um mês.

Como resultado do acordo, o banco passará a se chamar Indusval & Partners e será comandado em modelo de copresidência por Jair Ribeiro (fundador do Banco Patrimônio e ex-diretor do JP Morgan) e Luiz Masagão, atual diretor do Indusval.

Ao mesmo tempo, uma segunda operação foi acertada. O Indusval vai subscrever 17,6% das ações da empresa de comércio exterior Sertrading, controlada por Ribeiro e Goeye. O banco terá a opção de comprar as demais ações da trading e ainda passa a ter o direito de preferência para financiar os clientes da companhia. Com um volume de transações de R$ 1,6 bilhão em 2010, a Sertrading tem entre seus clientes empresas como as redes Makro e Leroy Merlin.

O modelo de sociedade anunciado ontem tem, ainda, uma terceira ponta. A Sertrading vai adquirir a JP Morgan Chase Vastera do Brasil e da Argentina, empresas de comércio exterior do banco JP Morgan. O banco americano, por sua vez, ofereceu uma linha de crédito de longo prazo no valor de US$ 25 milhões ao Indusval & Partners e se comprometeu em comprar bônus de subscrição conversíveis em ações do Indusval.

"Essa relação mais próxima entre a Sertrading e o Indusval permitirá que as informações da trading sejam usadas pelo banco", diz Alfredo de Goeye. Isso quer dizer que o banco estará mais próximo dos clientes da empresa de comércio exterior e poderá oferecer novos produtos financeiros.

"A operação torna o banco mais capitalizado, diminui o seu perfil de risco e terá como resultado um time remunerado por desempenho", diz Alain Belda, sócio-diretor da Warburg Pincus ao explicar o primeiro investimento da gestora no setor financeiro brasileiro. Cerca de 10% do capital do Indusval será alocado para atrair executivos para a instituição.

Negociação. Os atores envolvidos no acordo são velhos conhecidos, mas as negociações que resultaram na sociedade começaram há dez meses. A primeira conversa aconteceu na festa de casamento da filha de Alfredo de Goeye, para o qual Ribeiro e Masagão foram convidados.

"O Jair já falava com o Warburg Pincus para, possivelmente, transformar a Sertrading em uma instituição financeira. Já o Indusval passou por uma revisão estratégica após o estouro da crise global e decidiu ampliar sua atuação", diz Manoel Felix Cintra Neto, um dos controladores do Indusval.

Focado em oferecer crédito a empresas de médio porte, o Indusval entra com mais força, agora, no financiamento de companhias em importações e exportações.

A principal aposta no longo prazo, porém, é a atuação no mercado de capitais por meio da distribuição e negociação de títulos corporativos de renda fixa, como bonds e debêntures. "Queremos ser um dos líderes nesse mercado. O Brasil vive o que os Estados Unidos viveram na década de 70, com o aumento da relevância dos títulos corporativos", diz Jair Ribeiro. "Acreditamos que, ao longo dos anos, a taxa de juros do País vai cair e os investidores devem sair do CDI para entrar nesses títulos, que ainda têm baixa liquidez."

As pequenas e médias empresas representam, hoje, 90% da carteira do Indusval, que fechou 2010 com lucro de R$ 29 milhões. O Daycoval, que também atua nesse segmento, lucrou R$ 274,7 milhões.

Depois de ter sua nota de avaliação de risco nacional rebaixada pela Fitch Ratings, em agosto do ano passado, por causa dos impactos da crise financeira internacional, o banco recebeu um voto de confiança da Standard & Poor"s em dezembro.

A agência reafirmou os ratings de crédito de longo e curto prazos, depois que a instituição demonstrou que estava conseguindo melhorar sua rentabilidade ao longo do ano. Entre os riscos que continuavam evidentes na operação estava a concentração da carteira em clientes institucionais, "mais voláteis", segundo a Standard & Poor"s./ COLABOROU NAIANA OSCAR

FICHA TÉCNICA

Indusval tem atuação focada na concessão de crédito para pequenas e médias empresas

Lucro líquido em 2010R$ 29 mi

Lucro líquido em 2009 R$ 12,8 mi

Carteira de crédito R$ 1,7 bi

Caixa livre (dez/10) R$ 732,8 mi

Número de agências 11

Valor de mercado R$ 336 mi

Fundação 1968

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.