James Wolfensohn deixará presidência do Banco Mundial

James Wolfensohn, o multimilionário banqueiro que deu um objetivo claro a um Banco Mundial (BM) desorientado há uma década, passará na quarta-feira a presidência da instituição a Paul Wolfowitz. "Nos últimos dez anos, os temas da pobreza e do desenvolvimento me consumiram", disse Wolfensohn, um australiano de 71 anos que se tornou cidadão americano para assumir a presidência do Banco Mundial em 1995. Esta obsessão quase dolorosa pela pobreza por parte de um homem que se tornou rico em Wall Street é exatamente o que a instituição precisava na época, segundo especialistas consultados pela EFE. "Wolfensohn organizou a complexa missão do Banco ao redor de um objetivo: a redução da pobreza", disse Colin Bradford, um ex-economista-chefe da Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos. O Banco Mundial foi criado em 1944 para a reconstrução da Europa após a II Guerra Mundial e, durante sua história, passou por várias mudanças em busca de um espaço no mundo. Wolfensohn reduziu o peso dos programas para promover a redução da dívida e o combate à inflação, explicou Bradford. Em seu lugar, dirigiu o Banco a projetos de saúde e de educação, entre outros, que têm um impacto direto na vida dos pobres. O presidente em fim de mandato do BM também acabou com a onda de protestos contra as organizações econômicas internacionais que tiveram seu auge nos distúrbios durante a cúpula da Organização Mundial do Comércio (OMC) realizada em Seattle em 1999. Wolfensohn "estabeleceu uma colaboração real com a sociedade civil", afirmou Barbara Stocking, a diretora da organização humanitária Oxfam na Grã-Bretanha, após uma reunião em Washington com Wolfowitz. Oposição Paradoxalmente, a maior oposição a suas idéias não veio de fora, e sim do seio da própria instituição. No BM ainda se premia mais a quantidade de empréstimos que um funcionário administra do que a efetividade dos seus projetos. Wolfensohn não conseguiu mudar este sistema de incentivos, e seu temperamento forte não o ajudou a dominar a burocracia e a infundir em todos os funcionários suas idéias de mudança. "Seu forte não foi a administração interna, mas as relações externas", resumiu Bradford. Wolfensohn reconheceu esta sua falha na terça-feira: "Acho que se fizesse tudo de novo, teria mais cuidado para construir o de dentro antes de construir o de fora." Novo presidente Por outro lado, Wolfowitz chega com uma reputação de bom gerente, demonstrada em vários altos cargos no governo americano, inclusive o de subsecretário de Defesa, seu último posto. Outro dos problemas de Wolfensohn, que foi indicado por Bill Clinton quando este era presidente dos EUA, foi sua falta de entendimento com o governo do presidente George W. Bush. É um inconveniente que Wolfowitz não enfrentará, já que exerceu grande influência na administração Bush e foi um dos principais promotores da guerra no Iraque. No entanto, Wolfowitz deverá ter muito cuidado na forma como usará estas boas relações para que não pareçam submissão. Wolfensohn, por exemplo, denunciou que o mundo dedica 900 bilhões de dólares a despesas militares por ano e apenas 60 bilhões ao desenvolvimento. "Faz sentido gastar tanto dinheiro para manter a paz quando não se abordam as causas ocultas dos problemas?", perguntou-se Wolfensohn em seu último encontro com a imprensa.

Agencia Estado,

29 Maio 2005 | 14h51

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